Mensagem do Papa para evento na Áustria

Comunicado reflete sobre mudanças climáticas

Papa Leão XIV reflete sobre dimensão moral dos desafios ecológicos / Foto: Reprodução Vatican News
Papa Leão XIV reflete sobre dimensão moral dos desafios ecológicos / Foto: Reprodução Vatican News

“A Igreja sempre esteve consciente de que a questão ecológica possui uma dimensão moral”. Partindo deste princípio, o Papa Leão XIV enviou uma mensagem de vídeo aos participantes da 10ª edição do Austrian World Summit, realizada nesta terça-feira, 16, em Viena.

O encontro reúne representantes da política, economia, ciência, cultura e sociedade civil para refletir sobre a proteção do clima, inovação e soluções sustentáveis. Neste contexto, o Pontífice frisou, em sua mensagem, que a crise ambiental não é uma questão isolada, mas o aspecto ecológico da crise socioeconômica contemporânea.

Fé exige maior responsabilidade

A partir disso, o Santo Padre propôs três reflexões, inspirando-se nas virtudes teologais — a fé, a esperança e a caridade. Em relação à primeira delas, Leão XIV assinalou que muitas tradições religiosas compreendem a criação como dom divino e afirmam o caráter sagrado da vida. Por isso, a fé reforça o desejo comum de proteger a vida e cuidar da natureza, constituindo uma dimensão essencial para enfrentar os desafios ecológicos.

“Aqueles que acreditam que o nosso mundo foi criado por Deus e que é intrinsecamente bom são chamados a assumir uma responsabilidade ainda maior no cuidado com a Criação, pois essa é uma exigência da própria fé”, explicou.

Além disso, o Papa relacionou a crise climática a fundamentos éticos — dignidade de todos os seres humanos, direitos humanos fundamentais, bem comum, destino universal dos bens, subsidiariedade, solidariedade e justiça social. Neste contexto, salientou que, sem enfrentar essas questões pessoais e sociais, nenhuma solução técnica para proteger o meio ambiente poderá alcançar plenamente seu objetivo.

Esperança para enfrentar os medos

Quanto à esperança, o Pontífice reconheceu a preocupação crescente diante dos desafios globais. Ele pontuou que, frente os desafios enfrentados, surgem frequentemente alguns temores e preocupações, como o medo de mudar de rumo, de perder poder e de enfrentar resultados incertos.

“É aqui, penso eu, que os líderes e as comunidades religiosas podem oferecer uma contribuição especial para apoiar iniciativas sociais e ambientais ambiciosas, pois a Bíblia está repleta de exemplos de como os medos das pessoas podem ser superados pela esperança, que, em última instância, é um dom do próprio Deus”, declarou o Santo Padre.

Leão XIV mencionou também a COP30, realizada em novembro do ano passado, em Belém (PA). Ele destacou que os países mais ricos devem cumprir suas obrigações de apoio financeiro aos países mais pobres, contribuindo com o desenvolvimento de uma nova estrutura financeira internacional centrada na pessoa humana.

Caridade para tornar a sociedade mais humana

Por fim, o Papa abordou a caridade, enfatizando a importância de cultivar uma autêntica cultura do cuidado com o meio ambiente com “amor cívico e político”. Tal amor, observou, “é a chave para um desenvolvimento verdadeiramente humano, pois ‘para tornar a sociedade mais humana, mais digna da pessoa humana, é necessário valorizar novamente o amor na vida social — política, econômica e cultural —, fazendo dele a norma constante e suprema de toda atividade’”.

O Pontífice recordou que, ao lado dos pequenos gestos cotidianos, o amor social impulsiona a elaboração de estratégias mais amplas para deter a degradação ambiental e promover uma cultura do cuidado que alcance toda a sociedade.

Ao concluir sua mensagem, o Santo Padre expressou o desejo de que a Cúpula favoreça o diálogo necessário para encontrar soluções eficazes em defesa do “maravilhoso dom da criação” e invocou sobre todos os participantes os dons de Deus: a sabedoria e a paz.

Fonte: Canção Nova / Com Vatican News

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