Papa alerta para ameaça nuclear

e risco de extinção da humanidade

Foto: Lusa/EPA
Foto: Lusa/EPA

O Papa alertou hoje para a conjugação das ameaças nucleares e cibernéticas, exigindo um desarmamento global que possa salvar a humanidade, num texto inédito divulgado pelo Vaticano.

“A Igreja humildemente levanta uma questão para todos, hoje: há de a espécie humana continuar a habitar a Terra? A combinação do domínio cibernético com o rearmamento global leva-nos a considerar seriamente esta pergunta”, questionou Leão XIV, perante a gravidade de um rearmamento mundial associado ao domínio tecnológico.

No prefácio do novo livro lançado pela Livraria Editora do Vaticano (LEV), que reúne intervenções do pontífice sobre a paz, o Papa sustenta que a lógica de dissuasão constitui uma falácia porque “não são as armas atómicas que geram a paz, mas sim o desarmamento”.

“A história, muitas vezes, esteve perto da catástrofe nuclear”, recorda Leão XIV.

O texto cita o cantor, compositor e poeta Bob Dylan, que se dirige figurativamente à bomba atómica num dos seus textos (“Go AwayYouBomb”, 1963): “Odeio-te porque és coisa do homem, pertences ao homem e é o homem quem te maneja”.

A análise ao cenário geopolítico adverte para a existência de “103 Estados” atualmente envolvidos em dinâmicas de guerra.

“Se o nosso primeiro instinto quando nos deparamos com um problema, uma tensão, uma ofensa for o de julgar os outros, acusá-los e até condená-los, será inevitável que primeiro a indiferença e depois o ódio se instalem à nossa volta”, adverte.

“As armas ressoam e matam na Ucrânia, no Oriente Médio, no Sudão, em Mianmar, no Iémen, no Congo e em muitas outras situações”, acrescenta.

Leão XIV classifica como “verdadeiramente assustador” o cenário hipotético de um mundo em que as máquinas decidam isoladamente bombardear pessoas indefesas, aludindo aos avanços da inteligência artificial em cenários bélicos.

O documento evoca o exemplo histórico do oficial soviético Stanislav Petrov, que ajudou a “evitar uma guerra atómica global”, em 1983, para demonstrar que “a consciência de um único homem pode valer o mundo inteiro”.

A mensagem rejeita as atitudes de desespero e desafia os crentes a atuarem civilmente para “que cada um faça da paz a causa da sua vida”.

“Há uma maneira de ver a realidade que destrói em vez de construir. A paz começa por mim. Começa por nós”, apela o Papa.

Estas reflexões constam na obra ‘Desarmada e desarmante. A paz é um dom’, editada por Alessandro Banfi, uma antologia de intervenções de Leão XIV sobre o tema da paz desde a sua eleição pontifícia, a 8 de maio de 2025.

Fonte: Agência Ecclesia

Compartilhe essa Notícia

Leia também