
O Papa afirmou nesta quarta-feira, 4, no Vaticano, que não existe uma Igreja ideal desfasada da realidade terrena, sublinhando a coexistência das dimensões humana e divina na instituição católica.
“Não existe uma Igreja ideal e pura, separada da terra, mas apenas a única Igreja de Cristo, encarnada na história”, declarou Leão XIV, na audiência geral desta quarta-feira, que decorreu na Praça de São Pedro.
Prosseguindo o ciclo de reflexões sobre a constituição dogmática ‘Lumen Gentium’, do Concílio Vaticano II, o pontífice abordou a definição da Igreja como uma realidade complexa, interpretando o conceito como uma “união ordenada de diferentes aspetos” na mesma realidade.
“A ‘Lumen Gentium’ afirma que a Igreja é um organismo bem estruturado, no qual coexistem as dimensões humana e divina, sem separação nem confusão”, sustentou o pontífice.
O Papa explicou que a vertente humana se manifesta na comunidade de homens e mulheres que partilham a “alegria e o peso de ser cristãos”.
A intervenção citou o magistério de Bento XVI para vincar que “não há oposição entre o Evangelho e a instituição”.
As estruturas eclesiais servem precisamente a “realização e a concretização do Evangelho no nosso tempo”, acrescentou Leão XIV.
A intervenção identificou o método divino com a vontade de Deus se fazer visível através da “fraqueza das criaturas”.
“Por isso, o Papa Francisco, na ‘EvangeliiGaudium’, exorta todos a aprenderem a descalçar sempre as sandálias diante da terra sagrada do outro”, recordou o pontífice.
No final do encontro semanal com milhares de peregrinos, Leão XIV deixou uma saudação aos participantes lusófonos, de modo especial ao grupo de jovens de Meixomil.
“Feita de homens e mulheres, a Igreja é divina: mesmo com a nossa pequenez e limitação, podemos sempre ser instrumentos nas mãos de Deus para a edificação da sua Igreja”, referiu.
Fonte: Agência Ecclesia



