Inicia a manutenção da Capela Sistina

Do afresco ‘O Juízo Final’

A Capela Sistina se prepara para revelar, em sua plenitude cromática, o poder da visão de Michelangelo. Após a conclusão da complexa instalação do andaime, teve início, no sábado 23/02, a manutenção extraordinária do afresco ‘O Juízo Final’, um dos pináculos da arte renascentista. A intervenção, prevista para ser concluída até a Semana Santa, promete devolver ao mundo as cores originais da obra-prima, ofuscadas por uma pátina quase invisível.

A Diretora dos Museus do Vaticano, Barbara Jatta, confirmou o início dos trabalhos de limpeza, garantindo que, mesmo com os restauradores em ação sobre o andaime coberto por um pano com a imagem da obra, a Capela continuará aberta para receber fiéis e visitantes.

A Ciência por trás do restauro

A remoção da “difusa velatura esbranquiçada” que atenuava os valores de claro-escuro da pintura é um processo meticuloso, guiado pela ciência. Paolo Violini, Chefe de Restauro do Laboratório, detalhou a metodologia: a limpeza é feita com a aplicação controlada de água desionizada através de papel japonês. Este método visa solubilizar os depósitos estranhos, respeitando rigorosamente a película pictórica original.

O trabalho é precedido por investigações científicas detalhadas e documentação fotográfica, garantindo que o resultado honre o estado conservativo autêntico da obra.

Um Legado de Cem Anos e a Visão dos Papas

Este é o primeiro grande tratamento conservativo no Juízo Final em cerca de trinta anos, desde o último em 1994. A obra, encomendada pelo Papa Clemente VII em 1533 e concluída sob Paulo III Farnese em 1541, carrega uma história de impacto monumental.

FabrizioBiferali, Curador do Reparto para a Arte dos séculos XV-XVI, relembrou a anedota histórica de que o Papa Paulo III teria ficado tão impressionado com a obra descoberta que caiu de joelhos implorando o perdão divino.

Este centenário de vida institucional do Ordinariato Militar (1926-2026), cujo tema é “Inter Arma, Caritas”, também será celebrado, e o legado de serviço dos Capelães Militares, que “levam Cristo ‘nas veias’ da humanidade”, segundo o Papa Leão XIV, ecoa no cuidado dedicado a esta obra de arte.

O apoio fundamental para a limpeza veio do Capítulo da Florida dos PatronsoftheArts in theVaticanMuseums, demonstrando a contínua aliança entre a arte, a fé e a filantropia.

Ao final dos trabalhos, esperados para a Semana Santa, será possível admirar, com renovada potência visual, o ápice da visão de Michelangelo, um testemunho eterno da relação entre o humano e o divino.

Fonte: Regional Norte 2 / Por VívianMarler / Com informações e foto Vatican News

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