Há mais de cinco décadas, o ‘Serviço de Formação do Regional Norte 2’ da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB N2, traduz o Evangelho para a realidade das águas e das florestas, preparando lideranças para os novos desafios, do cuidado com a Casa Comum. E para dar continuidade a este serviço, foi nomeado no dia de ontem,(6/4), o novo coordenador, o sociologo Daniel Nascimento Campos Filho.
Falar do ‘Serviço de Formação do Regional Norte 2’ (IPAR) é falar de uma história que corre junto com as águas dos rios da nossa Amazônia. Nascido em 1972, o mesmo ano do histórico ‘Encontro de Santarém’, o IPAR não surgiu apenas como um centro de estudos, mas como um “serviço de escuta e ação”. Ele é fruto de uma Igreja que decidiu, inspirada pelo Concílio Vaticano II, que sua fé precisava ter cheiro de terra e rosto amazônico.
Hoje, atuando nos estados do Pará e do Amapá, o IPAR reafirma sua identidade como um pilar de sustentação para quem está na ponta, os agentes de pastoral, os leigos e leigas que doam sua vida nas comunidades mais distantes.
A realidade amazônica impõe desafios que não se aprendem apenas nos livros. O ‘Serviço de Formação Regional – IPAR’ compreende que evangelizar no Norte 2 significa entender o isolamento geográfico, as longas viagens por vicinais e rios, mas também as feridas abertas pela crise climática, pelo desmatamento e pelos conflitos territoriais.
O projeto pedagógico do IPAR se sustenta em dois princípios que são bússolas para a região,a ‘Encarnação na Realidade’ e a ‘Evangelização Libertadora’. Isso significa que a formação bíblica e teológica oferecida não está desconectada da luta pela dignidade humana. Inspirado pela ‘Laudato Si” e pelo ‘Sínodo para a Amazônia’, o IPAR abraça a ‘Ecologia Integral’. Formar uma liderança hoje, para o Regional Norte 2, é preparar alguém capaz de defender a vida em todas as suas dimensões, desde a espiritualidade sinodal, onde todos caminham juntos, até o cuidado prático com a floresta e seus povos (indígenas, ribeirinhos e urbanos).
Com o olhar voltado para o futuro, o objetivo do IPAR permanece nítido: oferecer instrumentos teóricos e pastorais para que as paróquias, movimentos e prelazias sejam espaços de acolhida e transformação social. É a busca por uma Igreja que, como diz o Papa Francisco, seja “em saída”, mas uma saída que conhece o terreno que pisa.
Ao qualificar lideranças para integrar fé e vida, o ‘Serviço de Formação Regional – IPAR’ garante que a semente lançada em 1972 continue dando frutos em 2026, provando que o serviço eclesial é, acima de tudo, um ato de amor e resistência na querida Amazônia.
Sobre o novo coordenador
Sociologo, Daniel Nascimento Campos Filho, chega a coordenação do ‘Serviço de Formação Regional – IPAR’, com uma trajetória marcada pela interdisciplinaridade e pelo compromisso com a formação humana, o profissional reúne uma vasta bagagem acadêmica que une as Ciências Sociais, a Teologia e as Ciências da Religião. Licenciado em Ciências da Religião (UNINTER) e em Ciências Sociais (UNAMA), com bacharelado em Teologia pela FATECH, sua formação é complementada por uma especialização em Metodologia da Educação Superior pela Universidade Estadual do Pará (UEPA) e estudos avançados em Direito Canônico junto à PUC-RJ.
Sua experiência profissional reflete uma profunda inserção na realidade eclesial e educacional da região amazônica. Entre 2019 e 2026, atuou como Professor e Assessor de Teologia e Sociologia no IPAR (Instituto de Pastoral do Regional Norte 2 da CNBB), onde desempenhou um papel estratégico na organização e escrita do livro comemorativo dos 50 anos da instituição e na elaboração do projeto de reestruturação do órgão em parceria com a Diocese de Macapá.
No campo da educação básica, possui experiência como docente de Sociologia no Ensino Médio pelo Colégio Salesiano Carmo e de Ensino Religioso pela Secretaria de Educação do Estado do Amapá (SEED). Sua base acadêmica também foi fortalecida por passagens como bolsista de iniciação científica e monitoria na UNAMA, além de estágio acadêmico no Museu Paraense Emílio Goeldi.
Aliando teoria e prática, o profissional busca exercer a docência com competência e responsabilidade, oferecendo um olhar sensível às questões sociais e éticas contemporâneas, sempre em diálogo com o Magistério da Igreja e os sinais dos tempos.
Fonte: Regional Norte 2 / PorVívianMarler




