Papa abordará tensões na África

O bispo de Kano, Nigéria, John Niyiring, OSA, em frente ao Augustinianum, em Roma, em 15 de março de 2026. | IshmaelAdibuah/EWTN News
O bispo de Kano, Nigéria, John Niyiring, OSA, em frente ao Augustinianum, em Roma, em 15 de março de 2026. | IshmaelAdibuah/EWTN News

Católicos e não-católicos na África estarão observando com interesse a primeira visita do papa Leão XIV ao continente na próxima semana e o que ela revelará sobre a agenda e as prioridades do papa. Um desses observadores será o bispo de Kano, Nigéria, John Niyiring, agostiniano como o papa e amigo de longa de Robert Prevost.

Leão XIV tem uma visita agendada à Argélia, Angola, Guiné Equatorial e Camarões em sua primeira viagem apostólica ao continente, de 13 a 23 de abril.

Crescente conflito entre muçulmanos e cristãos na África

Niyiring está preocupado com o estado das relações entre cristãos e muçulmanos na África, particularmente em países de maioria muçulmana como a Argélia.

Niyiring descreveu a situação como um clima de medo entre as duas religiões. Seus comentários sobre a situação ecoam os de vários bispos africanos que recentemente expressaram preocupação com a situação dos cristãos no continente, falando sobre a dificuldade que os cristãos frequentemente enfrentam para praticar sua fé em países africanos predominantemente muçulmanos.

“Sempre existe esse medo entre o cristianismo e o islamismo”, disse Niyiring à EWTN News. “O islamismo está se tornando uma religião bastante forte na África, e nós, cristãos, teremos que dialogar com os líderes muçulmanos… Mas é o diálogo que elimina esse medo. Sem diálogo, as pessoas sempre serão desconfiadas e terão medo umas das outras. Tenho certeza de que o Santo Padre dirá algo sobre isso”.

Niyiring disse esperar que a viagem do papa também aumente a conscientização sobre outras questões frequentemente ignoradas no Ocidente, como a pobreza, a corrupção política e a situação difícil de garotas jovens na África.

“Em muitos países, talvez no Ocidente, ninguém discute os problemas enfrentados por garotas jovens nas ruas”, disse ele. “Vemos muitas delas em nossas ruas [como vítimas do tráfico sexual], e há situações em que elas não recebem a atenção de que precisam, especialmente na educação”.

Em relação aos políticos, o bispo disse: “Na África de hoje, há pessoas que querem estar no governo, mas que mal se interessam pelo bem-estar do seu povo. Gostaríamos de ouvir Leão [XIV] falar mais sobre [corrupção política], incentivando nossos líderes a serem líderes que amam seu povo e estão lá para servi-lo”.

Servindo com o então padre Robert Prevost

O futuro papa, então padre Robert Prevost, serviu como prior-geral dos agostinianos de 2001 a 2013. Nesse período, Prevost teve um papel fundamental na criação de uma província para os agostinianos na Nigéria, experiência que ampliou consideravelmente o conhecimento do futuro papa sobre o país e o continente africano.

“Sua viagem à Nigéria em 2001 — uma das várias que fez por lá — foi a primeira visita canônica que fez fora de Roma como prior-geral”, disse Niyiring. “Trabalhei em estreita colaboração com ele depois que me tornei superior provincial dos agostinianos na Nigéria, em 2005, até me tornar bispo em 2008. Sua presença lá foi crucial. Havia também projetos em andamento na Nigéria e em toda a África, e ele ajudou muito na arrecadação de fundos para construí-los. Levei muitos problemas à sua atenção como provincial de uma ordem jovem. E ele sempre se mostrou atencioso e sempre enfatizou a importância de encontrar novas abordagens para as questões”.

Niyiring também elogiou o estilo de liderança do papa enquanto servia aos agostinianos, destacando sua atenção e calma.

“Ele tinha uma personalidade agradável”, disse ele. “Estava sempre atento e sempre enfatizava a importância de encontrar novas abordagens para os problemas. Ele nos incentivava a estar abertos aos impulsos do espírito e dispostos a mudar em situações que exigissem essa mudança”.

Fonte: ACI Digital / Por IshmaelAdibuah

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