Papa condena concentração de poder

E diz que democracia corre riscos

Foto: Lusa/EPA
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O Papa alertou hoje para a crise da “democracia autêntica” e para os perigos da concentração de poder, numa mensagem dirigida à Academia Pontifícia das Ciências Sociais (Santa Sé).

“A doutrina social da Igreja considera o poder não como um fim em si mesmo, mas como um meio ordenado para o bem comum. Isto implica que a legitimidade da autoridade não depende da acumulação de força económica ou tecnológica, mas da sabedoria e da virtude com que é exercida”, refere Leão XIV, num texto publicado pelo Vaticano.

A intervenção assinala o início dos trabalhos da sessão plenária do organismo, a decorrer até quinta-feira, sobre o tema ‘Os usos do poder: legitimidade, democracia e a reescrita da ordem internacional’.

“A concentração do poder tecnológico, económico e militar nas mãos de poucos ameaça tanto a participação democrática entre os povos como a concórdia internacional”, indica o pontífice.

Leão XIV afasta a legitimidade política da demonstração de força, sublinhando que a autoridade deve reger-se pelas virtudes da sabedoria e temperança para evitar o “abuso de poder”.

A democracia só se mantém saudável quando enraizada na lei moral e numa verdadeira visão da pessoa humana. Sem este alicerce, corre o risco de se tornar ou uma tirania maioritária ou uma máscara para o domínio das elites económicas e tecnológicas.

Numa análise à geopolítica atual, caracterizada por “alianças mutáveis” e mudanças globais, o Papa descarta a eficácia da diplomacia baseada apenas no “equilíbrio de poder” ou numa “lógica puramente tecnocrática”.

Recuperando o magistério dos seus antecessores, Leão XIV apela a uma renovação das estruturas multilaterais baseada na “subsidiariedade”.

“De facto, é mais necessário do que nunca repensar com ousadia as modalidades da cooperação internacional”, escreve.

O texto termina com um desafio à Academia Pontifícia das Ciências Sociais, para que reflita sobre os critérios do “poder legítimo” e contribua para a edificação de uma “cultura global de reconciliação”.

Fonte: Agência Ecclesia

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