Evento promovido pela Conferência dos Religiosos do Brasil (CRB), destacou a importância da comunidade de vida como espaço fundamental para o despertar e acompanhamento das vocações
Entre os dias 10 e 12 de abril de 2026, religiosos e religiosas de diversas regiões do país participaram do Encontro Nacional de Animadores Vocacionais, promovido pela Conferência dos Religiosos do Brasil (CRB), por meio do Setor Juventudes/SAV. O encontro aconteceu no espaço Eventos e Hospedagem São José e teve como tema central “Ressignificar a Animação Vocacional a partir da Comunidade de Vida”.
O evento reuniu animadores vocacionais com o objetivo de refletir, partilhar experiências e fortalecer práticas pastorais voltadas ao despertar e acompanhamento das vocações religiosas no contexto atual da Igreja, dentre eles estava Irmã Anagilsa Sampaio Bentes, Filha da Caridade de São Vicente de Paulo, membro do SAV-CRB Regional Pará-Amapá.
Na mensagem de abertura, os participantes foram acolhidos com palavras que destacaram o espírito do encontro como um verdadeiro tempo de renovação e discernimento comunitário. A reflexão inicial apresentou a imagem bíblica de Nicodemos, aquele que busca compreender o novo nascimento, como inspiração para o momento vivido pela vida religiosa no Brasil.
Segundo a mensagem inicial, o encontro foi compreendido como um chamado a assumir a identidade de “sentinelas de esperança”, atentos aos sinais do Espírito em tempos desafiadores e fecundos. Ressaltou-se ainda que a animação vocacional não nasce de estratégias isoladas, mas do testemunho concreto da vida comunitária e da experiência de fraternidade.
A proposta do encontro apontou para a necessidade de conversão pastoral e abertura ao novo, reconhecendo que o caminho vocacional se fortalece quando nasce de relações vivas, de cuidado mútuo e da vivência concreta do Evangelho.
A programação do encontro foi organizada em três dias intensos de formação, oração e convivência fraterna.
Na sexta-feira, 10 de abril, os participantes foram acolhidos e participaram da mesa de abertura conduzida pelas religiosas Ir. Maria do Disterro, Irmã Maria do Disterro é presidente da CRB Nacional, e Ir. Annette Havenne, com mediação de Ir. Alecsandra, Coordenadora do encontro, seguida de oração de encerramento da noite.
O sábado foi dedicado à formação aprofundada, com quatro conferências conduzidas pela assessora Ir. Annette Havenne, além de momentos de meditação bíblica, partilhas e integração entre os participantes. O dia foi encerrado com uma mística que favoreceu a interiorização dos conteúdos vivenciados.
Já neste domingo, o encontro foi marcado por momentos de diálogo espiritual, apresentação das ressonâncias dos grupos e encaminhamentos pastorais. A programação foi concluída com a celebração da Santa Missa presidida pelo padre Marcio, seguida do almoço de despedida.
Ao longo das reflexões, destacou-se que a vocação nasce, cresce e se fortalece no ambiente comunitário. A comunidade de vida foi apresentada como espaço privilegiado para testemunhar o Evangelho e despertar o desejo vocacional em novas gerações.
A proposta de ressignificar a animação vocacional foi compreendida como um convite à escuta atenta, ao discernimento coletivo e à construção de práticas pastorais que respondam às realidades atuais da juventude.
O encontro reforçou ainda a importância da criação de redes colaborativas entre congregações e serviços vocacionais, fortalecendo a comunhão e ampliando a missão da Igreja junto às juventudes.
O que o encontro revelou com mais força é algo que, no fundo, a Igreja sempre soube, mas que às vezes precisa ser redescoberto, a vocação não nasce de campanhas. Nasce de relações. Nenhum folder, nenhum vídeo bonito, nenhuma estratégia de comunicação substitui o testemunho de uma comunidade que vive o que prega. O jovem que se sente atraído pela vida religiosa, na maioria das vezes, não foi convencido por um argumento, foi tocado por um rosto. Por uma alegria que não se explica. Por uma fraternidade que parecia impossível e estava acontecendo bem na sua frente.
É por isso que ressignificar a animação vocacional a partir da comunidade de vida não é apenas uma proposta metodológica. É uma conversão pastoral. É reconhecer que o melhor instrumento vocacional que uma congregação tem é a sua própria vida, se ela for vivida com autenticidade, com alegria, com cuidado mútuo e com os pés fincados no Evangelho.
O encontro reforçou ainda a necessidade urgente de criar e fortalecer redes colaborativas entre congregações e serviços vocacionais. Porque nenhuma congregação, sozinha, dá conta da amplitude da missão. E porque a comunhão não é apenas um valor espiritual, é também uma estratégia pastoral inteligente, que multiplica forças e amplia o alcance da Igreja junto às juventudes.
Ao final das atividades, o que ficou no ar não foi satisfação de quem completou uma agenda. Foi o desejo, vivo, concreto, de continuar. De levar para as comunidades de origem o que foi vivido ali. De recriar métodos sem abandonar a essência. De testemunhar, com a própria vida, que a vida consagrada é bela, é possível e é necessária.
Vozes do encontro
Para Ir. Anagilsa Bentes, representante do SAV-CRB Regional Pará-Amapá, o que mais lhe tocou foi o cuidado com a vocação. “O que mais me tocou o coração, ao longo desses dias, foi esse cuidado com a própria vocação enquanto chamado de Cristo, para segui-Lo na radicalidade e poder evangelizar lá onde Ele nos envia. Como é importante cuidarmos da nossa própria vocação para que, animados, possamos animar as juventudes nas nossas comunidades congregacionais e em todos aqueles que encontramos no caminho missionário. A presença do Regional Amapá neste encontro nacional foi muito significativa, porque comungamos com outros carismas e os mesmos ideais para a animação vocacional no Brasil. Isso nos coloca numa perspectiva de realizar, com mais segurança e com essa partilha enriquecedora, o nosso Congresso Vocacional Regional em junho. É sempre uma alegria e uma graça de Deus participar de momentos formativos que nos ajudam não só na espiritualidade pessoal, mas comunitária, missionária e regional. Continuemos juntos a ressignificar a animação vocacional a partir das nossas comunidades de vida”.
Ir. Maria do Disterro, presidente da CRB Nacional, falou sobre a representatividade da vida consagrada que se encontrou em meio as partilhas do encontro presencial “este encontro representou muito para a vida consagrada. Foi o primeiro presencial depois de tantos encontros virtuais, e éramos mais de 120 pessoas, entre irmãos e irmãs. A Irmã Annette foi muito feliz ao nos convidar a olhar para a nossa própria vida, para a nossa vocação, estamos de fato encantados? Porque só poderemos encantar a juventude se antes estivermos vivenciando a experiência do amor de Deus, esse amor que nos seduz e nos coloca nos caminhos da vida. A esperança é que possamos caminhar pelas imensas trilhas da missão, nos vários cantos desse imenso Brasil, e encontrar a juventude com nosso testemunho, para mostrar que Jesus Cristo é a centralidade da nossa vida. Como eu disse ao final da missa, caminhemos com as sandálias gastas de Maria, que seguiu o Senhor e disse em Caná, ‘Fazei tudo o que Ele vos disser”, contou.
“Se vocês quiserem que a animação vocacional continue e seja sempre mais pertinente, eu chamaria a atenção para três pontos. Primeiro: olhem para o sofrimento, para o cansaço e para os sinais de esperança lá onde vocês vivem. Segundo: perseverem na caminhada, mesmo quando não enxergam os frutos. E terceiro: se não há sinais visíveis, não tem problema, sejam vocês mesmos um sinal de esperança no meio dos irmãos”, alertou Ir. Annette Havenne, Assessora e animadora do encontro.
Mais do que um espaço formativo, o Encontro Nacional de Animadores Vocacionais foi reconhecido como um verdadeiro momento de partilha e fortalecimento da missão comum.
Ao final das atividades, ficou evidente entre os participantes o desejo de continuar construindo caminhos que favoreçam o surgimento de novas vocações, inspiradas pela vivência comunitária e sustentadas pela esperança cristã.
A experiência vivida durante o encontro reafirmou que o futuro da animação vocacional passa pela capacidade de recriar métodos, fortalecer vínculos e testemunhar a alegria da vida consagrada, tornando-a visível, próxima e significativa para as novas gerações.
Fonte: Regional Norte 2 / PorVívianMarler
































