Os meios de comunicação do Vaticano marcaram nesta terça-feira, 21, o primeiro aniversário da morte do Papa Francisco com o lançamento de um documentário e de um texto inédito.
A obra audiovisual de 27 minutos, intitulada ‘Todos, todos, todos!’, a frase deixada pelo pontífice na JMJ Lisboa 2023, retrata a marca pastoral de Jorge Mario Bergoglio e a sua insistência numa Igreja próxima das periferias.
O trabalho recupera imagens de arquivo para apresentar uma experiência eclesial capaz de traduzir o Evangelho em gestos concretos e de fomentar a paz num mundo marcado por tensões.
O jornal ‘L’Osservatore Romano’ associa-se à efeméride com a publicação de uma mensagem do presidente da República italiana, que elogia o legado e os ensinamentos do pontífice.
“Passou um ano desde o falecimento do muito amado Papa Francisco e o povo italiano guarda com carinho e gratidão a memória da sua figura e dos seus ensinamentos”, indica Sergio Mattarella.
O chefe de Estado transalpino destaca a dimensão global e o impacto duradouro do pontificado anterior.
“O seu pontificado atravessou períodos difíceis da vida internacional e deixou uma marca indelével na história da humanidade, na vida da Igreja, na consciência dos construtores da paz, daqueles que têm fome e sede de justiça, das mulheres e dos homens de boa vontade”; pode ler-se.
A edição comemorativa inclui a partilha de um manuscrito de juventude do Papa Francisco dedicado à ‘Eneida’, de Virgílio, revelando a sua faceta de leitor de poesia clássica.
O diretor do jornal do Vaticano, Andrea Monda, explica que o documento lhe foi entregue pelo próprio pontífice como um presente pessoal.
“Um dia fui visitá-lo por motivos de trabalho e ele entregou-me este texto, datilografado, dedicado a Virgílio. Não percebi logo que se tratava de um presente e perguntei-lhe se queria que o publicasse no ‘L’Osservatore Romano’, mas ele recusou, dizendo: ‘É apenas uma brincadeira de juventude, quem sabe o que escrevi há tanto tempo’. Explicou que, quando jovem, era fascinado pela figura de Virgílio como poeta e profeta ‘pré-cristão’. No final da conversa, ele deu-me a entender que queria que eu ficasse com ele”, relatou.
A opção de tornar o texto público decorre da coincidência entre a data de falecimento de Francisco e o aniversário da fundação de Roma, cidade intimamente ligada à figura do herói Eneias.
“A coincidência levou-me a desobedecer-lhe, convencido de que ele ficará contente, tal como ficarão os leitores, que poderão conhecer outro aspeto do homem que foi o Papa Francisco”, explica Andrea Monda.
Fonte: Agência Ecclesia



