Maria, casa de Deus, Mãe que acolhe

Dom Paulo Andreolli, SX – Bispo Auxiliar de Belém

Caros leitores, meus irmãos e irmãs, neste mês de maio – mês de Maria e de todas as mães –, quero conversar com vocês como pastor e irmão. Maio nos convida a olhar para Maria como casa de Deus, onde o Filho de Deus encontra espaço e, ao mesmo tempo, como mãe que acolhe cada um de nós com ternura e cuidado, e também como missionária que vai ao encontro de quem mais precisa.

Às vezes, perguntam-me: “Dom Paulo, como viver bem a nossa fé no dia a dia, em meio às dificuldades e preocupações?”. E a Palavra deste Domingo nos ajuda a responder de forma muito concreta.

Na Primeira Leitura (At 6,1-7), vemos a Comunidade Cristã enfrentando um problema real: havia pessoas, especialmente as viúvas, que não estavam sendo bem atendidas. E o que a Igreja faz? Não ignora, não deixa para depois. Movida pelo Espírito Santo, organiza-se e cria ministérios: alguns para o anúncio da Palavra, outros para o serviço aos mais necessitados.

Caríssimos leitores, percebemos aqui algo fundamental: a Igreja nasce como casa que acolhe, onde ninguém deve ser esquecido. Isso também nos interpela hoje: nossas comunidades estão atentas aos mais frágeis? Nossas famílias sabem cuidar de quem mais precisa? Ser cristão é também assumir essa responsabilidade concreta.

Na Segunda Leitura (1Pd 2,4-9), São Pedro nos recorda que somos “pedras vivas” na construção de um edifício espiritual. Isso significa que cada um de nós tem um lugar e uma missão. Quando vivemos segundo o Espírito, quando colocamos em prática a Palavra de Deus, tornamo-nos uma oferta agradável a Deus. O verdadeiro culto que agrada ao Senhor é uma vida marcada pela bondade, pela justiça e pelo amor.

E assim chegamos ao Evangelho (Jo 14,1-12). Jesus, na hora da despedida, consola os discípulos: “Não se perturbe o vosso coração”. Ele fala da casa do Pai, do céu, do destino final de cada um de nós, mas também indica o caminho que leva ao céu: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida”. Ou seja, não estamos perdidos: o caminho já nos foi mostrado. Seguir Jesus, viver seus ensinamentos, amar como Ele amou – isso já é começar a viver o céu aqui na terra. Quando uma comunidade acolhe, quando uma família vive o amor, quando alguém se doa pelos outros, aí o Reino de Deus já está presente.

E é neste ponto que olhamos para Maria. Ela é um pedacinho do céu aqui na terra: é a casa de Deus por excelência, porque acolheu Jesus em seu coração e em sua vida. Mas é também mãe que continua a nos acolher, a nos orientar e a nos conduzir.

Maria nos ensina a abrir espaço para Deus e para os irmãos. Ensina-nos a escutar, a servir, a confiar. Ensina-nos que a fé não é algo distante, mas algo que se vive no cotidiano, com gestos simples de amor.

Mas Maria não é uma mãe que fica parada. O Evangelho nos mostra que ela, ao saber da necessidade de sua prima Isabel, levantou-se e foi, apressadamente, ao seu encontro. Este é um sinal claro para nós: a verdadeira fé nos coloca em movimento. Somos chamados a “esticar as cordas da nossa tenda” – como nos dizem as novas Diretrizes da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil – para acolher e convidar a todos ao banquete nupcial do Cordeiro.

Caros leitores, de fato, as nossas comunidades são chamadas a ser missionárias, não fechadas em si mesmas, mas abertas, disponíveis para ir ao encontro dos mais necessitados, dos que sofrem, dos que estão afastados. Uma Igreja que acolhe é também uma Igreja que sai, que caminha, que se aproxima.

Neste mês de maio, peçamos com confiança: “Mãe, ensina-nos a ser casa que acolhe e Igreja em saída”. Que nossas comunidades sejam mais fraternas e missionárias, que nossas famílias sejam mais unidas e solidárias, que nosso coração seja mais aberto.

Meus irmãos e irmãs, vivendo assim como discípulos-missionários de Jesus, já começamos a experimentar, aqui na terra, a alegria do céu que Ele nos prometeu.

Confiemo-nos aos cuidados da Bem-aventurada Virgem Maria, rezandojuntos uma das orações mais belas e antigas de nossa Igreja, em que nos colocamos sob sua poderosa intercessão maternal: “À vossa proteção recorremos Santa Mãe de Deus, não desprezeis as nossas súplicas em nossas necessidades, mas livrai-nos sempre de todos os perigos, ó Virgem gloriosa e bendita. Amém”.

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