Traços da vida pública de Jesus – II

Na sinagoga de Cafarnaum, Jesus ensinava, regularmente, aos sábados.
Na sinagoga de Cafarnaum, Jesus ensinava, regularmente, aos sábados.

 Monsenhor Ronaldo Menezes – Vice-Presidente da Fundação Nazaré de Comunicação

Concluí o último artigo com a decisão de Jesus em voltar para a Galileia. Retomo com o início da missão nessa Região. São Mateus afirma que a decisão de Jesus em retornar à Galileia foi motivada pela prisão de João em Maqueronte, que ele soube. Porém, não foi para Nazaré, e sim, para Cafarnaum e, assim, cumpria uma profecia de Isaías (Mt 4,12-17). Em sua viagem, Jesus passa por diversas localidades, prega em suas sinagogas, vai a Nazaré (Lc 4,16-22). Estando em Caná, cura o filho de um funcionário real (Jo 4,46-54). Em Cafarnaum, parece ter ficado hospedado na casa de Pedro e André. Sobre o sítio arqueológico da “casa de Pedro” em Cafarnaum, foi erigida uma igreja das mais belas na Terra Santa. Na sinagoga de Cafarnaum, Jesus ensinava, regularmente, aos sábados (Lc 4,31-32). Na continuação, seguirei o mesmo esquema de números, como no artigo anterior, para facilitar a leitura:

  1. Enquanto está em Cafarnaum, segundo os Sinóticos, Jesus chama Pedro, André, Tiago e João, para serem seus discípulos (Mt 4,18-22; Mc 1,16-20).
  2. Em um dia de sábado, durante a oração na sinagoga, Jesus realiza o seu primeiro exorcismo, com grande repercussão (Mc 1,23-28; Lc 4,33-37).
  3. Ao voltar para casa, cura a sogra de Pedro (Mt 8,14-15; Mc 1,29-31; Lc 4,38-39).
  4. À tarde desse mesmo dia, ao por do sol, quando terminava o dia judaico, e para não descumprir o preceito do sábado, muitos enfermos são levados a Jesus, que cura a todos; faz também exorcismos (Mt 8,16-17; Mc 1,32-34; Lc 4,40-41).
  5. A oração de Jesus é constante; ele sai cedo para rezar e afasta-se para ficar sozinho. Os discípulos o encontram e ele os convida para estenderem a missão a outros lugares (Lc 4,42-43; Mc 1,36-38).
  6. É interessante notar que a pregação de Jesus é, inicialmente, nas sinagogas.
  7. Cafarnaum será a “base” da atividade de Jesus. Ela será conhecida, inclusive, como “a cidade de Jesus”. Alguns milagres estão associados a Cafarnaum, como os seguintes: a cura do servo do centurião romano; a tempestade acalmada no lago de Genesaré durante uma travessia perigosa; os exorcismos dos gadarenos, a cura do paralítico, com o perdão dos pecados; a cura da mulher com sangramento e da filha de Jairo; cura dos dois cegos e do endemoninhado mudo. É imprescindível que você tenha o Evangelho aberto e leia os textos que, embora eu não os tenha indicado aqui, você os encontrará a partir do capítulo 8 de São Mateus, por exemplo, e as citações correspondentes nos outros dois Evangelhos Sinóticos, Marcos e Lucas.

 

Se seguirmos a cronologia de São João, segundo o qual o ministério de Jesus durou três anos, e não um, como dizem os Sinóticos, Jesus empreende uma segunda visita a Jerusalém. Esta segunda ida do Senhor a Jerusalém compreende o capítulo 5 de João, onde o evangelista relata a cura de um enfermo na piscina de Betesda.

Jesus faz outros milagres, no decorrer de sua viagem, como a ressurreição do filho da viúva de Naim (Lc 7,11-17). Daqui, segue para Samaria, onde não é bem recebido (Lc 9,52-56). É proverbial a inimizade entre judeus e samaritanos.

Segundo os Evangelhos Sinóticos, Jesus faz uma verdadeira subida para Jerusalém, desde a Galileia, até seu destino, que será a cruz. É uma viagem repleta de acontecimentos, de ensinamentos, gente que chega, gente que sai e deixa o grupo. Em sua subida, Jesus chega a Jericó, local da parábola do bom samaritano (Lc 10,25-37) e logo depois a Betânia, residência de Lázaro e de suas irmãs. Na casa de Lázaro, todos conhecemos o diálogo de Jesus com uma das irmãs, sobre o estritamente necessário e saber escolher o que é imprescindível na vida. Betânia não fica distante de Jerusalém, algo em torno de três quilômetros uma da outra cidade, ou, na época, meia hora de caminhada.

Em Jerusalém, Jesus cura um paralítico na piscina de Betesda (Jo 5,2-13) e no monte das Oliveiras, Jesus ensina os discípulos sobre a importância da oração, sua necessidade, sua eficácia. Segundo São Lucas, é no monte das Oliveiras que o Senhor nos dá a oração do Pai nosso. São Mateus o situará no monte das Bem-aventuranças.

Ainda seguindo São João, Jesus retorna a Galileia, com o grupo dos Doze e algumas mulheres que o seguiam. Esse grupo de discípulas é de extrema importância para o ministério de Jesus. Os textos sugerem que elas, tanto quanto os Doze, constituíam um corpo permanente em torno do Senhor. No caminho, ensinamentos, pregações, curas, como a do homem que tinha a mão paralisada (Mt 12,9-21; Mc 3,1-6; Lc 6,6-11). Jesus chega a Cafarnaum. Leia agora o capítulo 3 de São Marcos, do qual já falei em outro artigo; aqui aparece o tema da família de Jesus, sempre controverso com alguns irmãos não católicos. Nesta ocasião, Jesus foi, inclusive, acusado de poder satânico (Mt 12,22-37; Mc 3,22-30; Lc 11,14-15.17-26), cuja análise é melhor ficar para os especialistas. Cafarnaum, sempre Cafarnaum, lugar de extraordinária memória do Senhor.

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