Homilia Dominical – Jo 3,16-18

Por Pe. Romeu Ferreira

Evangelho de Domingo | 31.05.2026

A) Texto: Jo 3,16-18

16Deus amou tanto o mundo, que deu o seu Filho unigênito, para que não morra o quenele crer, mas que tenha a vida eterna. 17De fato, Deus não enviou o seu Filho ao mundo paracondenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por ele. 18Quem nele crê não écondenado, mas quem não crê já está condenado, porque não acreditou no nome do Filhounigênito.

B) Comentário

Solenidade da Santíssima Trindade: Deus em três pessoas! Ele age como Pai criador,como Filho salvador, e como Espírito santificador, numa intensa dinâmica interativa daSalvação.

O texto destaca: o amor, a fé e a salvação, com profunda ligação entre a elevação daserpente no deserto com Moisés (Nm 21, 4-9) e a elevação do Filho do homem na cruz. Ocrucificado é expressão do amor máximo de Deus, no dom de seu Filho para a salvação omundo; de todos através da fé no unigênito.

São João é um dos autores neotestamentários, especialista no tema do amor. E é nostextos dele que encontramos a beleza do conceito de Deus. E quem é Deus? Ele projeta assim:“Deus é amor” (1Jo 4, 8.16)! Este conceito de Deus deve chegar ao âmago da alma, ao maisprofundo de nosso coração, e iluminar toda a nossa vida.

E que devemos fazer em primeirolugar? “Amar a Deus sobre todas as coisas”, amá-lo de todo o coração. Esta é a meta de quemtem fé. E quem não a tem, deve pedi-la; pois só assim viverá eternamente (Jo 11,25s).

O amor é fonte de energia que se erradia em várias direções: há diversos níveis, comosão múltiplas as palavras gregas que o expressam (Eros; Philein; Stergein; Agapao). Sabe-seque é bem diferente o amor entre um homem e uma mulher, entre os pais e os filhos, entreamigos… E como entender este amor de Deus pelo mundo, quando na maioria das vezes omundo é tido como opositor à obra divina? Jesus mesmo dizia aos discípulos abertamente: “Seo mundo vos odeia, sabei que, primeiro, me odiou a mim (Jo 15,18)”; logo os animava dizendo:“tende coragem: eu venci o mundo! (Jo 17,24)”.

Que amor é esse? Como entender que Deustenha amado assim o mundo, e não de qualquer modo, mas ao extremo? “Deus amou tanto omundo, que deu o seu Filho unigênito”.

O amor de Deus aqui é diferente do amor “philia”(necessidade), é amor “ágape” (abnegado): A intensidade desse amor é sugerida no texto pelapartícula “que” acompanhada: “para que não morra // para que viva”.

Nesta dinâmica, tudoocorre pela “fé”, tendo como ímã e centro de atração maior, seu Filho Jesus Cristo. “Deus amoutanto o mundo, que deu o seu Filho unigênito, para que não morra o que nele crer, mas quetenha a vida eterna”.

Não uma vida qualquer, mas vida plena, sem caducidade, sem fim; umavida perene e digna de ser o que ela é no projeto de Deus.

Em relação ao contraste de “amar e odiar”, é bom lembrar que Deus nunca odiou omundo como tal; porém o amou. E que Jesus sempre fez o mesmo que o Pai e nos ensina aimitá-lo.

O amor tem força maior, pois supera o ódio, e é capaz de salvar. O amor supremo deDeus pelo mundo no dom de seu Filho é a única via de salvação para a humanidade, caso elase deixe conduzir pela fé Nele.

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