
Muitos voluntários fazem parte dos vários coros que se preparam para cantar na visita de Leão XIV à Espanha, com um objetivo em comum: “Que Deus reine e que só Ele brilhe”.
Em Madri, Barcelona e nas Ilhas Canárias, centenas de pessoas vêm se preparando há semanas para contribuir com suas vozes nos vários eventos, especialmente os litúrgicos, programados para o período de 6 a 12 de junho.
Em Madri, dezenas de voluntários se reúnem nos fins de semana numa grande casa das Filhas da Caridade no bairro de Chamberí, ao lado de uma escola, onde há espaço suficiente para reunir as dezenas de membros do coral veterano da Jornada Mundial da Juventude (JMJ) 2011 e os membros do coral juvenil que foi formado para essa viagem apostólica.
Borja Quintas, diretor artístico da orquestra sinfônica, do coro e do coral infantil da Jornada Mundial da Juventude 2011, falou à ACI Prensa, agência em espanhol da EWTN, sobre a emoção de cantar novamente diante de um papa: “Já conhecemos a emoção que sentimos, mas ela é sempre irrepetível. Por isso, a energia e o entusiasmo estão no auge”.
Alejandro Ciordia, membro do coral desde a sua fundação em 2011, sente a mesma emoção: “O papa Bento XVI já esteve aqui, o papa Francisco já esteve aqui e, por fim, o papa Leão XIV vai visitar-nos em junho. A verdade é que tem sido um presente, um presentão do céu”.
Esse entusiasmo é especialmente palpável entre os membros do coral juvenil: “Fizemos uma convocatória pública que superou todas as nossas expectativas, com centenas de inscrições”, disse Quintas.
“As pessoas se inscreveram por amor”
Os cerca de 300 candidatos enviaram um vídeo com um trecho obrigatório e um trecho livre, sendo selecionados um a um até que as 150 vagas disponíveis fossem preenchidas.
Alejandro Obregón, diretor do coral juvenil, disse que o processo “foi muito complicado, mas ao mesmo tempo muito bonito”.
“E então, chegar aqui e ver o entusiasmo com que todo o coro nos recebeu, como se cantassem juntos a vida toda, foi muito especial”, disse ele.
Para Obregón, o segredo desse coro é que “é possível ver que as pessoas se inscreveram por amor e que também sentem muito respeito e responsabilidade em cantar num evento tão importante como a visita do papa Leão XIV”.
“Por isso, estão estudando muito”, diz ele.
Martina Alfaro, uma das integrantes do coral, disse que estão se esforçando bastante: “São ensaios, tempo dedicado em casa, ensaios em grupo, mas acho que a oportunidade de cantar em algo assim vale a pena”.
“Todos prepararam as músicas, todos vieram com o desejo e o entusiasmo para começar, para praticar e cantar, e acho que isso é fundamental”, disse ela.A maioria é de Madri, mas alguns vêm de lugares distantes, como Pablo e Gonzalo, dois jovens de Murcia, que viajam quatro horas de carro até Madri e voltam todos os sábados para ensaiar.
Pablo está entusiasmado com a ideia de cantar para o papa e viver a experiência de anunciar sua fé e paixão pela música, enquanto Gonzalo disse que “quando todos sentem o mesmo, especialmente pelo Senhor, no fim essa voz é muito poderosa”.
O privilégio de glorificar a Deus através da música
O violoncelista Pedro Alfaro, fundador da Orquestra Sinfônica e Coral da Jornada Mundial da Juventude, disse à ACI Prensa que “poder glorificar a Deus por meio da música em um evento como esse é verdadeiramente um privilégio, algo muito especial e também uma responsabilidade”.
“Não se trata só de querer, mas também de saber que temos um dom com as nossas vozes, com os nossos instrumentos, com a musicalidade, com os arranjos, e de colocar isso ao serviço da Igreja, e muito particularmente com a vinda do papa, que é o sucessor de Pedro”, disse o violoncelista.
Para Alfaro, “a música é a linguagem do inefável, do celestial” e permite que coisas especiais aconteçam quando consegue refletir “um pouco dessa beleza, dessa transcendência”.
Na visão dele, “dar glória, fazer as coisas da melhor maneira possível, esforçar-se… Tudo isso, em última análise, tem um impacto, produz um resultado e também requer graça, que é um mistério”.
Perguntamos a Clara Ricart, empresária dessa família musical, se eles estão preparados para “fazer uma declaração” nos vários eventos com o papa Leão XIV, nos quais contribuirão com sua arte.
“Faremos uma declaração, mas o importante é que Deus faça a declaração e que sejamos instrumentos, e nunca se disse melhor, para que através da beleza se possa chegar a Deus”, disse Ricart.
“Nascemos com esse objetivo: criar música sacra de alta qualidade, bela e cuidadosamente elaborada, para que tudo conduza ao aspecto mais transcendente do ser humano, para que, através da beleza, se possa alcançar Deus”, disse a empresária. “E esperamos ser um instrumento para isso, mas o importante é que Deus reine e que só Ele brilhe”.
Fonte: ACI Digital / Por Nicolás de Cárdenas


