A rede Talitha Kum lança relatório

“Levanta-te”: a luta global contra a escravidão moderna

Nesta quarta-feira (29), às vésperas do ‘Dia Mundial Contra o Tráfico de Pessoas’, a Igreja Católica apresenta ao mundo um sopro de esperança em meio a uma das estatísticas mais cruéis da humanidade. A rede ‘Talitha Kum’, cujo nome bíblico significa “Menina, eu te digo, levanta-te”, lançou seu relatório anual de 2025, revelando um impacto recorde: 1,21 milhão de vidas foram tocadas pelas ações da rede em todo o planeta.

O número impressiona não apenas pela grandeza, mas pelo crescimento de quase 30% em relação ao ano anterior. Entretanto, como bem define o documento, “por trás de cada número há uma pessoa, uma família e uma comunidade”. São vidas que foram protegidas da “indústria” do tráfico humano, que hoje gera cerca de 236 bilhões de dólares em lucros ilegais por ano e mantém 50 milhões de pessoas em condições de escravidão moderna.

Liderada por irmãs católicas e fundada pela União Internacional das Superioras Gerais (UISG), a Talitha Kum expandiu sua presença para 113 países. O exército de compaixão cresceu, são mais de 6.300 irmãs e parceiros que atuam na linha de frente. No último ano, a rede chegou a novos territórios na África, como Malawi e Botsuana, fortalecendo a rede de proteção em regiões de alta vulnerabilidade.

A prevenção continua sendo a principal arma da rede. Através de escolas, paróquias e centros comunitários, quase um milhão de pessoas receberam informações vitais para identificar e evitar as armadilhas dos traficantes. Mas o destaque de 2025 foi o salto no acesso à justiça, um aumento de 72% nos atendimentos jurídicos.

Acompanhar uma sobrevivente em um tribunal não é apenas uma formalidade legal; é um ato de cura. Ao garantir que traficantes sejam responsabilizados, a rede quebra o ciclo da impunidade e devolve às vítimas o direito de serem protagonistas de suas próprias histórias.

O relatório traz um alerta urgente sobre a evolução do crime. A Irmã Abby Avelino, coordenadora internacional da rede, destacou o crescimento alarmante dos “golpes online” no Sudeste Asiático, onde jovens são atraídos por falsas promessas de emprego e forçados a participar de esquemas criminosos sob violência. Somado a isso, os conflitos no Oriente Médio e na África, além das crises climáticas, criam o cenário perfeito para que redes criminosas explorem o desespero de quem foge da guerra ou da fome.

Para a Irmã OonahO’Shea, presidente da UISG, a missão é clara. “Juntos e juntas, continuamos a construir um mundo livre do tráfico de pessoas, onde cada pessoa possa viver em liberdade e dignidade”.

A Talitha Kum nos lembra que a Igreja não está apenas rezando pelas vítimas, mas caminhando com elas. Na Amazônia ou no Sudeste Asiático, a missão é a mesma: dizer a cada pessoa ferida pela exploração que ela pode, sim, se levantar e recomeçar.

Fonte: Regional Norte 2 / PorVívianMarler

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