Círio Iluminado 2026

Formações e oficinas em Belém focam na profissionalização e inclusão social

Um dos cursos já conta com mais de 300 pessoas inscritas
Um dos cursos já conta com mais de 300 pessoas inscritas

O projeto ‘Círio iluminado’ 2026 começou dia 17 de agosto, observando a formação técnica e inclusão artística na capital paraense.Um dos destaques da abertura do projeto é o curso de produtor cultural, já contando com mais de 300 pessoas inscritas. Sob patrocínio da Equatorial Pará, o projeto é apoiado pelo Ministério da Cultura, por meio da Lei Rouanet, e da Fundação Cultural do Pará, através da Lei Semear.

A proposta é fornecer ferramentas dinâmicas para suprir uma demanda crescente no mercado local, de acordo com Olívio Rafael, diretor do Círio Iluminado 2026 e curador do curso. “O Círio Iluminado inicia com o objetivo de ensinar a produção cultural na prática, abordando os temas centrais de um evento de sucesso. A metodologia quer elevar a compreensão dos alunos, preparando profissionais qualificados para atender ao crescimento contínuo do setor no Estado”, destaca Olívio.

A produtora cultural Clara Zallut ministra o curso ao lado de Olívio, e considera que a iniciativa aborda o ciclo completo de realização de grandes eventos, desde o planejamento técnico até contingências climáticas. “Atuo há 18 anos na área e sei o quanto a mão de obra especializada em produção de eventos é escassa. O diferencial deste projeto é abranger as mais de dez vertentes da produção, tratando de logística, operacional de palco, segurança e gestão de riscos em um momento onde a questão climática exige preparação técnica completa”, explica Zallut.

A oportunidade atrai profissionais de diversas linguagens. A artista visual Amanda Lopes, integrante do coletivo Pernas e Palmas e brincante do Arraial do Pavulagem há uma década, ressalta a relevância da teoria aplicada. “A vivência e o conhecimento do dia a dia ajudam muito, mas a formação teórico-prática eleva o nível do trabalho. Na Amazônia temos um campo vasto, e se profissionalizar é o caminho para aproveitar essas oportunidades”, pontua Amanda.

A formação amplia horizontes de atuação na cultura regional na ótica de quem atua em áreas ligadas à arte, como a designer gráfica Susan Ataíde. “O conhecimento adquirido enriquecerá a geração e gestão do meu próprio trabalho. Vivemos em uma região rica, culturalmente, e entender os bastidores da produção permite atuar em frentes diversificadas”, avalia Susan.

O investimento na formação de agentes culturais é visto como um dos pilares do desenvolvimento socioeconômico. Michelle Miranda, analista de responsabilidade social da Equatorial Pará, reforça o compromisso da empresa com a cultura paraense. “Investir em cultura é investir em pessoas. Formar novos produtores significa capacitar cidadãos para transformar ideias e talentos em projetos sustentáveis que gerem emprego, renda e impacto social. Queremos fortalecer a cadeia cultural paraense e ajudar a tirar grandes iniciativas do papel”, afirma Michelle.

Arte, inclusão e autoestima

Entre os objetivos do projeto do Círio Iluminado 2026 estão a inclusão e a geração de oportunidades para a geração de renda. Esse é o foco da oficina de artesanato iniciada no centro comunitário do bairro do Guamá.

O curso de pintura inclusiva movimenta a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais de Belém (Apae-Belém). O trabalho nessa entidade é destinado, principalmente, para pessoas com deficiência intelectual e múltipla, e as atividades utilizam a arte como linguagem de expressão e devoção.

Lucas Sacramento, frequentador da Apae, participa do momento que une aprendizado e fé. “Para mim representa muita devoção a Nossa Senhora de Nazaré. É uma oportunidade muito legal, gosto muito de desenhar e participar dessa programação “, relata.

É o terceiro ano consecutivo que Silvana Saldanha, professora de artes, e destaca os reflexos positivos no bem-estar dos alunos e a importância de espaços inclusivos na cidade. “Trata-se de uma oportunidade rara para eles se expressarem, artisticamente, em eventos abertos pela cidade. Quando veem as obras concluídas e expostas, o sentimento é de imensa satisfação. O processo restaura a autoestima, traz orgulho e promove o pertencimento pleno de cada um deles”, conclui a professora.

Por André Luiz de França

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