Com a alegria que é fruto do Espírito Santo, estamos celebrando a Páscoa de Nosso Senhor Jesus Cristo. Todos somos convidados a participar intensamente do Tríduo Pascal. A Páscoa da Ceia, com a Missa da Ceia do Senhor, abre-nos o coração para a entrega total do Senhor, no dom da Eucaristia e do Mandamento Novo, com o gesto do Lava-pés, que percorre os séculos como sinal do serviço que o Senhor e os cristãos são chamados a oferecer. A Sexta-feira Santa nos conduz ao Calvário, para a Páscoa da Cruz, celebrada com as cores fortes do martírio e do amor incondicional de Cristo, que amou-nos até o fim. Preparados pelo silêncio do Sábado Santo, velando junto ao sepulcro do Senhor, celebraremos a Mãe de todas as Vigílias e Comemorações da Igreja, com a Páscoa da Ressurreição, do Sábado para o Domingo, para espargir aleluias festivos por toda parte no Domingo, dia do Senhor. Será tão grande nossa alegria, que desejamos cinquenta dias de tempo pascal, para recolher todas as consequências e frutos do Mistério celebrado. Mistério, que não é enigma, mas fonte inesgotável, que nos provoca, positivamente, a tê-lo presente em nossa vida de fé, cada ano para frente e mais alto, até a consumação dos séculos. Por isso, continuamos a proclamar: “Anunciamos, Senhor, a vossa morte e proclamamos a vossa ressurreição. Vinde, Senhor Jesus!”.

A graça da Páscoa começou no Batismo. De fato, “Cristo morreu por todos, para que os que vivem já não vivam para si mesmos, mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou. Assim, doravante, não conhecemos ninguém à maneira humana. E se, outrora, conhecemos Cristo à maneira humana, agora já não o conhecemos assim. Portanto, se alguém está em Cristo, é criatura nova. O que era antigo passou, agora tudo é novo” (2 Cor 5, 15-17). Cantamos assim na Vigília Pascal: “Banhados em Cristo, somos uma nova criatura, as coisas antigas já se passaram, somos nascidos de novo. Aleluia, aleluia, aleluia!”. Um só Batismo nos lavou e plantou em nós a vida do Cristo Ressuscitado. Já não é mais possível acomodar-nos no egoísmo, na injustiça, na morte do pecado, pois nascemos de novo! Temos a responsabilidade de viver de forma diferente, com novos critérios e novas atitudes!

A graça da Páscoa reuniu em oração os Apóstolos, tendo a Virgem Maria como coração daquele pequeno grupo. Foi uma grande vigília, para abri-los ao maior presente do Ressuscitado, o dom do Espírito Santo, penhor e garantia da realização das promessas do Senhor. Começou o tempo do Espírito, quando a visibilidade das ações de Jesus é entregue à Igreja! “Quando chegou o dia de Pentecostes, os discípulos estavam todos reunidos no mesmo lugar. De repente, veio do céu um ruído como de um vento forte, que encheu toda a casa em que se encontravam. Então apareceram línguas como de fogo que se repartiram e pousaram sobre cada um deles. Todos ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a falar em outras línguas, conforme o Espírito lhes concedia expressar-se” (At 2, 1-4). Dali para frente, ninguém segura o ardor dos cristãos!

A graça da Páscoa se espalha na Igreja! Os Atos dos Apóstolos nos descrevem a vida das primeiras comunidades cristãs (Cf. At 2,42-47). E quem é batizado e recebe o dom do Espírito Santo na Crisma, persevera na doutrina dos Apóstolos, balizando sua vida na Palavra de Deus e nos ensinamentos da Igreja, rejeitando tudo o que afasta da verdade, e verdade tem nome, é Jesus Cristo! Membro da Comunidade cristã, tem o direito e o dever de perseverar na Fração do Pão, o primeiro nome da Ceia Eucarística, pelo que o Domingo, Páscoa Semanal, a todos conduz à participação da Missa. Para nós, deixar de estar presentes à Missa Dominical fere a Igreja, pois cada um de nós é membro vivo desse Corpo, cuja cabeça é Cristo. Depois, cristão de vida nova nascida na Páscoa persevera na Oração, vive profundamente o diálogo com seu Senhor, sabendo que quem reza se salva! E fruto da vida nova em Cristo é a Comunhão de Bens, sinal precioso da mudança profunda realizada pela Graça Batismal, que nos faz reconhecer a todos como irmãos, partilhando os bens e tirando todas as consequências na dimensão social da fé.

A graça da Páscoa se espalhou por todo o mundo. Multiplicaram-se as conversões, Comunidades se formaram, a partir da dispersão ocorrida com as perseguições dos primeiros tempos, e os Apóstolos e demais discípulos chegaram a outras plagas. Converteu-se à fé o grande perseguidor, Saulo que se tornou Paulo, que com suas viagens e ardor missionário, além de cartas a Comunidades, propiciou, conduzido pelo Espírito Santo, a expansão da Igreja.

E na História da Igreja, a graça da Páscoa concede aos cristãos a força para, continuamente, se levantar das eventuais crises, das quais não são preservados, por serem humanos como todos os outros, além da superação das perseguições e incompreensões. Não são poucos os espaços em que um pequeno grupo, reunindo-se em nome de Jesus, presente entre eles, faz surgir a força da Evangelização, as Obras Sociais e de Caridade, a Educação Cristã e o ardor missionário. E nós fazemos parte de Comunidades vivas de Igreja!

A força da Páscoa se faz presente em nosso tempo, quando a Igreja se dispõe ao anúncio explícito de Jesus Cristo, ao serviço alegre nascido do dom maior, a caridade, ao testemunho do nome de Jesus e ao diálogo com todas as pessoas e grupos, sem perder a sua identidade, mas identificando os traços do bem, plantados pelo Espírito Santo em todas as partes.
A força da Páscoa faz os cristãos olharem ao seu redor, vendo a narrativa do Paraíso, no Livro do Gênesis (Gn 1-2) não como saudade, mas como esperança, sonhando, desejando e construindo um relacionamento adequado com toda a natureza e com o meio ambiente.
A força da Páscoa acontece quando assumimos a responsabilidade de ser, como nos convida o Papa Francisco, “Peregrinos da Esperança”. Para tanto, rezamos e vivemos intensamente neste ano a oração do Pai Nosso, que o próprio Senhor nos ensinou.

Assim, a Palavra do Apóstolo seja nossa mensagem alegre de Páscoa, para que sua força inigualável nos conduza: “Jogai fora o velho fermento, para que sejais uma massa nova, já que sois ázimos, sem fermento. De fato, nosso cordeiro pascal, Cristo, foi imolado. Assim, celebremos a festa, não com o velho fermento nem com o fermento da maldade ou da iniquidade, mas com os pães ázimos da sinceridade e da verdade” (1 Cor 5,7-8).

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