Voltando da escola, Pedrinho chegou a casa irritado, bateu forte com os pés no assoalho e disse: “Pai, estou com muita raiva porque o Bira zombou de mim à frente de todo mundo. Tomara que ele fique doente e nem possa ir para a escola”!
O pai escutou e depois o convidou para ir com ele no galpão.

Pedrinho o acompanhou. O pai pegou um saco de carvão, estendeu uma camisa branca no varal e disse: “Filho, faz de conta que esta camisa seja o Bira. Atira-lhe esse carvão. Cada pedaço que acertares na camisa, pensa que acertaste no Bira que te ofendeu”.
Pedrinho achou a ideia boa e divertida.
O pai saiu e disse que voltaria logo mais.

O menino, com muita raiva, foi atirando os pedaços de carvão na camisa. Vibrava ao ver alguns pedaços acertarem no Bira e lá deixarem a sua marca preta.
E assim foi atirando o carvão até esvaziar o saco.
O pai voltou e viu Pedrinho cansado, mas muito satisfeito. Alguns carvões tinham acertado a camisa que ficou suja de preto.
O pai sorriu e levou o filho à frente de um grande espelho e pediu que olhasse. Pedrinho se assustou. Seu rosto, seu pescoço, seus braços, sua roupa e até seus pés estavam sujos de carvão.

A raiva dele sujou bastante a camisa branca que representava o ofensor, mas ele ficou muito mais sujo.
Com carinho e amor, o pai disse ao filho: “Assim é na vida. Quando tu desejas o mal ao semelhante, quando sentes rancor e ódio contra alguém, um pouco de tua sujeira pode atingi-lo, mas quem paga mais caro és tu mesmo. O ódio, o rancor e a raiva prejudicam mais o raivoso do que aquele a quem pretende atingir. As pragas e o mal que desejares a ele atingirão mais a ti. Só alguns resíduos atingirão a outra pessoa”.

Algumas pessoas adoecem, vivem nervosas, angustiadas, tristes, estragam o seu fígado e seus nervos por cultivarem em si sentimentos de ódio, de rancor e de vingança.
Se quiseres viver em paz, aprende a amar, a compreender e a perdoar as falhas de quem te prejudicou.

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