Caminhar juntamente com todos os cristãos

 

Eis mais alguns números do Documento de trabalho para a etapa continental – ALARGA A TUA TENDA – em preparação para o Sínodo 2021-2024.
O número 45 do documento ressalta o que as sínteses vindas dos países apresentaram como situações desafiadoras para a Igreja neste tempo. Tais sínteses “convidam-nos a reconhecer especialmente a interconexão entre os desafios sociais e ambientais e a dar-lhes resposta, colaborando e dando vida a alianças com outras confissões cristãs, crentes de outras religiões e pessoas de boa vontade. Este apelo a um renovado ecumenismo e ao compromisso inter- religioso é particularmente forte nas nações marcadas por uma maior vulnerabilidade aos danos socioambientais e de desigualdades mais notórias. Por exemplo, muitas sínteses africanas e da zona do Pacífico convidam as Igrejas de todo o mundo a reconhecer que enfrentar os desafios socioambientais deixou de ser facultativo: “É nosso desejo proteger esta parte da criação de Deus, dado que o bem-estar dos nossos povos, de muitíssimos modos, depende do oceano. Nalguns dos nossos Países, a ameaça principal é representada pelo oceano, uma vez que as mudanças climáticas têm consequências drásticas para a sobrevivências destes Países” (CE Pacífico)”.

Já o número 46 do documento destaca que “as sínteses sublinham a importância do papel da Igreja no espaço público, particularmente em relação aos processos de construção da paz e reconciliação. Em sociedades extremamente polarizadas, isto é considerado uma parte integrante da missão da Igreja. Outras sínteses convidam a Igreja a contribuir com maior decisão ao debate público e ao compromisso pela justiça. Sobressai o desejo de maior formação no campo da doutrina social da Igreja. “A nossa Igreja não é chamada ao conflito, mas ao diálogo e à cooperação a todos os níveis. […] O nosso diálogo não pode ser um diálogo apologético com discussões inúteis, mas um diálogo de vida e solidariedade” (Igreja Arménia católica)”.

Os números 47 e 48 tratam da questão do “ecumenismo”, isto é, o relacionamento entre as igrejas cristãs. “Comum a muitas sínteses é a debilidade de um compromisso ecumênico profundo e o desejo de aprender como dar nova seiva ao caminho ecumênico, a partir da colaboração concreta e quotidiana sobre preocupações comuns pela justiça social e ambiental. É expresso como um vivo desejo, o testemunho mais unido entre as diversas religiões e as comunidades cristãs”.

De modo bem específico, o número 48 enfatiza que é preciso “caminhar juntamente com todos os cristãos”. “O chamamento ao ecumenismo, contudo, não se concretiza apenas num compromisso social comum. Muitas sínteses sublinham que não há sinodalidade completa sem unidade entre os cristãos. Esta começa com o apelo a uma comunhão mais estreita entre Igrejas de diferentes ritos. Desde o Concílio Vaticano II, o diálogo ecumênico tem feito progressos: “Na experiência concreta do nosso País, o «viver juntos» entre cristãos de diversas confissões é um dado de facto. Os nossos bairros, as nossas famílias, os lugares onde velamos os defuntos, os lugares de trabalho são autênticos espaços ecumênicos” (CE República Centro Africana). Contudo, não estão ainda bem articuladas muitas questões ecumênicas relativas às estruturas sinodais e aos ministérios na Igreja. Várias sínteses põem em relevo que existe também um «ecumenismo do martírio», onde as perseguições continuam a unir os cristãos. As sínteses pedem uma maior atenção às realidades que geram divisões, como por exemplo a questão da condivisão da Eucaristia”.

Por fim, o número 49 assinala “o delicado fenômeno do crescimento do número de famílias interconfessionais e inter-religiosas, com as suas necessidades específicas em termos de acompanhamento. Relançar o compromisso pela unidade dos cristãos, como testemunho num mundo fragmentado, requer uma formação específica que aumente a confiança, a capacidade e a motivação entre bispos, sacerdotes, consagradas e consagrados, leigas e leigos, para o diálogo ecumênico e inter-religioso. “Embora a Igreja na Índia tenha tentado promover o diálogo ecumênico e inter-religioso, tem-se a sensação de ser mínimo o compromisso neste âmbito da missão. Os esforços de diálogo envolveram apenas elites restritas e permaneceram quando muito exercícios cerebrais limitados ao âmbito das ideias e dos conceitos, em vez de se tornarem um movimento de massa e um diálogo de vida, amor e ação na base, incluindo pessoas de várias crenças e ideologias a fim de discernir, planificar e trabalhar em conjunto por causas comuns” (CE Índia)”.

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