Estamos para viver a Semana Santa, que chamamos “Semana Maior” pela intensidade dos Mistérios celebrados, que nos conduzem à nossa maior solenidade, quando a Igreja nos faz mergulhar na Morte e Ressurreição do Senhor, a festa de nosso Batismo, fonte da vida nova recebida e procurada com intensidade durante toda a nossa existência. Dentro de poucos dias, renovaremos as promessas feitas, com as quais já renunciamos a Satanás e suas obras, e prometemos servir a Deus na Santa Igreja Católica.

Percorremos a estrada da Quaresma, como peregrinos orantes em procissão, assumindo como mortificação as eventuais pedras do caminho e experimentando a solidariedade fraterna da partilha dos bens, está maior e libertadora penitência que se concretiza na Campanha da Fraternidade.
Durante estes dias, seremos convidados a várias procissões, algumas previstas na Liturgia e outras nascidas de nossa piedade popular. Chegue a todos o convite a sair de casa para ir às Paróquias, acompanhar Jesus em sua entrada na Cidade Santa, subir ao andar de cima do Cenáculo, para o Lava-pés, o Mandamento do Amor e a Instituição da Eucaristia, ir com Jesus ao Monte das Oliveiras acompanhá-lo até o Calvário, reviver a Via-Sacra com devoção, valorizar as expressões de arte com as quais se reproduzem as cenas da Paixão, Morte e Ressurreição do Senhor. Não é tempo para acomodamento, não é tempo para turismo, mas oportunidade preciosa de viver o Mistério central de nossa fé. Nem é necessário dizer que muitos de nós entraram nas verdadeiras procissões dos confessionários, para estarem diante dosa sacerdotes que nos ministram com tanto amor o Sacramento da Reconciliação nos dias da Quaresma.

Entretanto, com Jesus e os discípulos, aproximemo-nos por enquanto de Jerusalém para chegar a Betfagé, no Monte das Oliveiras (Cf. Mt 21,1). Podemos olhar nossas cidades, como Jesus que caminhou decididamente para a sua cidade de Jerusalém. Pode ser também ocasião para participarmos honestamente das lamentações de Jesus sobre a cidade, nossas cidades ou nosso comportamento: “Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas e apedrejas aqueles que te foram enviados! Quantas vezes eu quis reunir teus filhos como uma galinha reúne seus pintainhos debaixo das asas, mas não quisestes! Vede, vossa casa ficará deserta. Pois eu vos digo: desde agora não mais me vereis até que digais: ‘Bendito aquele que vem em nome do Senhor!’” (Mt 23,37-39). Nasça em nosso coração o verdadeiro anseio pela conversão de nosso mundo, para que se receba realmente o que vem em nome do Senhor!

Com tais sentimentos, podemos ser parecidos com os proprietários da jumenta e do jumentinho, montarias dos pobres, para conduzir Jesus a Jerusalém. Ninguém se recuse à disponibilidade para ajudar nesta caminhada! Sintamo-nos todos os convidados à procissão. Ramos das muitas palmeiras à nossa disposição expressem as mãos que se elevam para dizer que a Jerusalém, hoje chamada de Belém, Ananindeua, Marituba, Benevides, Santa Bárbara, municípios de nossa Arquidiocese, ou muitos outros espaços, ou comunidades aos quais chegue este convite, todos queremos que Jesus possa passear em nossos corações e purificá-los com seu amor misericordioso. Estendamos nossas vestes, tudo aquilo que nos envolve, virtudes ou fraquezas, despojemo-nos de tudo para que ele pise com passos de perdão em nossas falsidades e no fingimento que pode ser fruto de eventuais covardias.

Durante esta procissão da vida, olhemos ao nosso redor. “Os sumos sacerdotes e os escribas ficaram indignados, ao ver as maravilhas que ele fazia e as crianças que gritavam no templo: ‘Hosana ao Filho de Davi!’ Interpelaram no: ‘Estás ouvindo o que dizem?’ – ‘Sim, estou’, respondeu Jesus. ‘Nunca lestes nas Escrituras: ‘Da boca dos pequeninos e das criancinhas sai o louvor perfeito’?” (Cf. Mt 21,15-16). Desejamos envolver em nossas iniciativas pastorais as crianças, os pequeninos, preferidos de Deus. Nossa celebração de Ramos nos leve a suscitar iniciativas que aproximem de Jesus e a da Igreja os meninos e meninas, os adolescentes e os jovens. Podemos envolver-nos no relançamento dos Oratórios Festivos, que desejamos implantar em todas as Paróquias e pensar em toda a movimentação formativa e esportiva como um cortejo imenso de aclamações a Jesus Cristo, nosso Rei e Senhor!

Nossas procissões passarão por ruas bonitas ou não, certamente contemplarão moradores de rua, gente a ser acolhida na vida da Igreja, cujas vozes precisam ser ouvidas, pois gritam por socorro. Podemos ajuntar cerca de duzentos e oitenta e cinco acolhidos na Missão Belém, justamente porque missionários passaram em procissão pelas madrugadas de Belém oferecendo oportunidades. Neste sábado, muitos deles entram na Procissão da Crisma, depois de terem sido recentemente batizados. Na Fazenda da Esperança, passam de setenta os acolhidos, e temos verdadeiras filas de gente que quer entrar na procissão da vivência da Palavra, que liberta e cura! E as filas de pobres que acorrem às iniciativas da Cáritas, de Paróquias, Pastorais e Movimentos para oferecer alimentação! Pode ser cesta básica, sopa, almoço ou jantar, como no Cantinho da Misericórdia, na Doca, ou outras tantas possibilidades de viver as Obras de Misericórdia. Queremos ajuntar tudo isso e transformar em aclamações a Jesus que passa pelas nossas ruas e cantar hosanas! E sejamos generosos para que a Campanha da Fraternidade, com a Coleta da Solidariedade, seja nova, grande e expressiva manifestação de nossa responsabilidade, por termos ouvido do Senhor: “Dai-lhes vós mesmos de comer!” (Mt 14,16).

Todas as procissões do Domingo de Ramos conduzem à celebração da Eucaristia, na qual é proclamada neste ano a Paixão segundo São Mateus (Mt 27,11-54). Realiza-se então o ponto de chegada de Jesus a Jerusalém. Podemos ouvi-lo dizer: “É por isso que o Pai me ama: porque dou a minha vida. E assim, eu a recebo de novo. Ninguém tira a minha vida, mas eu a dou livremente. Eu tenho poder de dá-la, como tenho poder de recebê-la de novo. Tal é o encargo que recebi do meu Pai” (Jo 10,17-18). A Igreja canta assim esta realidade: “À mesa dos mortais o Cristo se assentou; os mais doces sinais na sua mão tomou. É sangue o que era vinho e corpo o que era pão. ‘A mim, a cruz, o espinho, a ti, a refeição’. De todo canto, vinde, correi: foi posta a mesa do nosso Rei!”(Hino do XXXVI Congresso Eucarístico Internacional – Rio de Janeiro, 1955). Corramos em procissão!

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