Homilia Dominical – Lc 17,5-10.

A) Texto: Lc 17,5-10.

5Os apóstolos disseram ao Senhor: “Aumenta a nossa fé!”  6O Senhor respondeu: “Se vós tivésseis fé, mesmo pequena como um grão de mostarda, poderíeis dizer a esta amoreira: ‘Arranca-te daqui e planta-te no mar’, e ela vos obedeceria. 7Se algum de vós tem um empregado que trabalha a terra ou cuida dos animais, por acaso vai dizer-lhe, quando ele volta do campo: ‘Vem depressa para a mesa’? 8Pelo contrário, não vai dizer ao empregado: ‘Prepara-me o jantar, cinge-te e serve-me, enquanto eu como e bebo; depois disso tu poderás comer e beber’? 9Será que vai agradecer ao empregado, porque fez o que lhe havia mandado? 10Assim também vós, quando tiverdes feito tudo o que vos mandaram, dizei: ‘Somos servos inúteis; fizemos o que devíamos fazer’”.

B) Comentário
“Aumenta a nossa fé!” (v 5). Este é o primeiro apelo dos apóstolos no texto. E o mestre não responde se vai aumentar ou não a fé deles; já que ela pode ser maior (Mt 8,10). Ele lhes devolve a questão, como que perguntando: E vocês têm fé?
Para aumentar a fé, antes de tudo é necessário tê-la. “Ninguém dá o que não tem”, e ‘não se aumenta o que não existe’. E Jesus comenta: “Se vós tivésseis fé, mesmo pequena como um grão de mostarda, poderíeis dizer a esta amoreira: ‘Arranca-te daqui e planta-te no mar’, e ela vos obedeceria” (v 6). Jesus não fez muitos milagres em sua cidade pela falta de fé (Mt 13,58).

No comentário (v 6), Jesus leva os discípulos e a cada pessoa a examinar sua própria vida em relação à fé. Pelo modo do meu viver, sou capaz de demonstrar que tenho fé? Qual é a minha postura diante das dificuldades que a vida me impõe? Sou pessoa de fé ou não? Ele já dissera: “Pedi e vos será dado” (Mt 7,7); e logo: “Tudo o que pedirdes com fé, em oração, vós o recebereis” (Mt 21,22).
Jesus prossegue: “Se algum de vós tem um empregado…” (v 7s). Ora, o empregado aqui é figura da pessoa de fé, enquanto a ilustração da parábola se dá no campo. O proprietário tem só um empregado o qual não deve esperar recompensa extra ou trato especial pelo que faz, mas o empenho de bem cumprir seu dever. É como um escravo que não pode exigir elogios pelo trabalho, pois é parte integrante de sua função. Da mesma forma o homem não deve requerer de Deus recompensa por algo que é obrigação do ser humano.

Os missionários somos servidores da Palavra, e devemos anunciar o que escutamos e cremos a seu respeito, sem ficar ansioso por resultados. Paulo nos adverte: “Quem é, portanto, Apolo? Quem é Paulo? Servidores, pelos quais fostes levados à fé: cada um deles agiu segundo os dons que o Senhor lhe concedeu. Eu plantei; Apolo regou; mas era Deus quem fazia crescer. Assim, pois, aquele que planta nada é; aquele que rega nada é; mas importa tão-somente Deus, que dá o crescimento. Aquele que planta e aquele que rega, são iguais entre si; mas cada um receberá seu próprio salário, segundo a medida do seu trabalho. Nós somos cooperadores de Deus, e vós sois a seara de Deus, o edifício de Deus” (1 Cor 3,5-9).
“Somos servos inúteis”, se refere ao bom senso no cumprimento de nossos deveres: o ouvido é para ouvir e o servo para servir.

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