Homilia Dominical – Mc 1,12-15

A) Texto: Mc 1,12-15
12 O Espírito Santo levou Jesus para o deserto. 13 E ele ficou no deserto durante quarenta dias e aí foi tentado por satanás. Vivia entre os animais selvagens, e os anjos o serviam. 14 Depois que João Batista foi preso, Jesus foi para a Galileia, pregando o evangelho de Deus e dizendo: 15 “O tempo já se completou e o reino de Deus está próximo. Convertei- vos e crede no evangelho!”.

B) Comentário
Iniciamos a quaresma: tempo especial da graça de Deus. Quaresma vem de quarenta, número da simbologia aritmética bíblica que indica uma etapa completa da vida humana (3 x 40 = 1.infância; 2.adulta; 3.velhice). Moisés morreu não de velhice e sim na plenitude de vida humana: 120 anos /3 x 40/ (Dt 34,7). Moisés viveu plenamente, todas as etapas da existência humana. É bom ter presente que na época messiânica, ou futura, quem viver 100 anos ainda será jovem, como nos afirma o profeta Isaias (Is 65,20). Quarenta, indica uma fase completa: O dilúvio é uma purificação total, uma lavagem completa na criação, quarenta dias… (Gn 7,12); Experiência de Moisés com Deus no Sinai, quarenta dias… (Ex 24,18); Alimento pleno para o profeta Elias, quarenta dias… (1Rs 19,8); O resguardo da mulher parida, será de quarenta dias (Lv 12,2-4); Quarenta anos de purificação no deserto em caminho à terra prometida (Js 5,6); Davi foi rei em tempo pleno, quarenta anos (1Rs 2,11). Assim Jesus viveu uma preparação completa, quarenta dias (v 13) para a festa maior: a Páscoa. Como Jesus praticou a quaresma, nós também; pois ele nos deu o exemplo, para que façamos o mesmo (Jo 13, 15). O evangelho destaca a presença ativa do Espírito Santo na vida de Jesus: na sua concepção (Lc 1,35; Mt 1,20) e já desde o início da preparação ao seu ministério (v 12). O precursor João Batista cumpre sua missão e chega o momento do reino, na mudança de vida pela fé no anúncio vindo do evangelho (v 15): converter-se e crer, é condição indispensável para as delícias do reino que Jesus nos veio trazer. O inimigo do reino é apresentado com vários nomes nas Sagradas Escrituras: demônio, diabo, satanás… além de outros referidos pela cultura popular como: capeta, encardido, capiroto… Aqui neste texto, o temos como satanás. Este vocábulo vem da língua hebraica: “satan”, que significa aquele que prova; o provador. Como o Cristo, o cristão não está isento de provações, de tentações. O mestre nunca nos livrará das tentações, mas nos recomenda que oremos diariamente pedindo o auxílio do Pai para não cairmos nelas (Mt 6,13). Os anjos são como assistentes de Deus; da corte celeste (Is 6,1-7). Também são mensageiros de Deus (Lc 1,26-38). Os que servem ao Pai, também servem ao Filho (v 13). Aqui já há um leve aceno à missão divina de Jesus. O Pai envia o Filho e o Filho nos envia. Vigoroso elo! Certamente os assistentes do Senhor, serão também dos que trabalham na obra do reino que chega. Jesus assegura que estaria conosco até o fim dos tempos. Assim, não estaremos sozinhos na luta contra satanás, enquanto empreendermos a construção do reino que vem a nós (Mt 6,10), ou vamos a ele.

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