Homilia Dominical – Mt 3, 13-17

Por Pe. Romeu Ferreira

Evangelho de Domingo | 11.01.2026

A) Texto: Mt 3, 13-17.

13Jesus veio da Galileia para o rio Jordão, a fim de se encontrar com João e ser batizado por ele. 14Mas João protestou, dizendo “Eu preciso ser batizado por ti, e tu vens a mim? 15Jesus, porém, respondeu-lhe: “Por enquanto deixa como está, porque nós devemos cumprir toda a justiça!” E João concordou. 16Depois de ser batizado, Jesus saiu logo da água. Então o céu se abriu e Jesus viu o Espírito de Deus descendo como pomba e vindo pousar sobre ele. 17E do céu veio uma voz que dizia: “Este é o meu filho amado, no qual eu pus o meu agrado”.

 

B) Comentário

É encantador ver este Jesus tão humano como os humanos, este Jesus que entra na fila, que entra na fila dos pecadores para ser batizado! Jesus, eres mesmo surpreendente e admirável…!

João Batista fica pasmo e extasiado, ele pensa e comenta: Que fazes aqui Jesus? Na fila com os pecadores? Se fosse eu, até que se poderia entender…! Mas tu, que fazes num lugar e postura que não seriam para ti? (v 14).

Jesus lhe convence de igual maneira ao que passara com Pedro, que querendo agradar Jesus, não entendera ter seus pés lavados pelo mestre, como se fosse um serviço indigno dele e lhe diz: “Senhor, tu, lavar-me os pés?!” Respondeu-lhe Jesus: “O que faço, não compreendesagora, mas o compreenderás mais tarde”. Disse-lhe Pedro: “Jamais me lavarás os pés!” Jesus respondeu: “Se eu não te lavar, não terás parte comigo”. Simão Pedro lhe disse: “Senhor, não apenas meus pés, mas também as mãos e a cabeça” (Jo 13,6-9). E agora declara aqui o mestre ao Batista: “Por enquanto deixa como está, porque nós devemos cumprir toda a justiça!” E João concordou (v 15). É magnânimo o ensinamento do mestre! Ele vive ensinando, e ensina vivendo.

Quando João diz a Jesus: “Eu preciso ser batizado por ti, e tu vens a mim?” (v 14), ele está reconhecendo não só a superioridade de Jesus, como a do seu batismo, a do batismo cristão. Assim sendo, no Evangelho de Marcos diz o texto usando as palavras do Batista que proclama: “Depois de mim, vem o mais forte do que eu, a quem não sou digno de, abaixando-me, desatar a correia das sandálias. Eu vos tenho batizado com água. Ele, porém, vos batizará com o Espírito Santo” (Mc 1,7-8).

Este episódio do batismo de Jesus, com o da tentação, é de certo modo, uma introdução ao seu magistério. Já a proclamação celeste (v 16-17), constitui uma investidura ao ministério público, em forma oficial de Jesus como Messias, como Cristo.

João fica inquieto com o Messias vestido em traje penitencial, e questiona Jesus que o responde no plural: “nós devemos cumprir toda a justiça” (v 15). Este “nós”, dos lábios do mestre, faz lembrar que ele mesmo se compadece de “nossas fraquezas”; assume toda a nossa condição humana, menos a do pecado (Hb 4,15). Aqui é algo parecido ao diálogo dele com a samaritana, no evangelista João. Estão sós os dois conversando, e Jesus usa um plural “nós”, contrastando a um “vós” da parte também de uma só pessoa, que é a samaritana: “Vós adorais o que não conheceis; nós adoramos o que conhecemos” (Jo 4,22). Logo, as palavras e ações de Jesus envolvem todas as pessoas.

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