O ser humano é o único animal que recebeu a dádiva de se comunicar por meio de palavras, de se expressar por meio da fala, mas, quanta dificuldade estamos vivendo, pela, digamos, “perda” dessa capacidade. É fato que a maioria de nós não foi educada a expressar o que sente, o que incomoda ou o que gosta e isso repercute diretamente na qualidade dos relacionamentos interpessoais seja na família, no trabalho, na escola, na igreja… Por vezes, pensamos algo e queremos que o outro adivinhe o que pensamos ou o que sentimos e até ficamos magoados porque o outro não nos entende, não nos acolhe, não nos ama… Mas, relacionamento não se constrói com adivinhações… E no meio de tantos não ditos, de tantos silêncios, de tantos “não dizer”, quantos conflitos e distanciamentos vão se formando entre as pessoas. Pense comigo: quantas coisas que não são ditas e que, se expressadas, poderiam unir muito mais as pessoas?

Então, para onde vai o não dito? Sabe aquele sintoma que você costuma manifestar com frequência em seu corpo e insiste em achar uma causa física para ele? Uma enxaqueca frequente, uma crise de gastrite, insônia recorrente, pressão arterial descontrolada, alergias, entre tantos outros sintomas, podem ser emoções reprimidas e o corpo passa a ser uma válvula de escape que evidencia algo que se encontra sem sentido e compreensão. É o que chamamos de sintomas psicossomáticos; aqueles sintomas que surgem em decorrência de conflitos emocionais/psíquicos não resolvidos e que podem levar ao adoecimento. Se observados e compreendidos, esses sintomas podem ajudar no restabelecimento do equilíbrio, pois sinalizam que corpo e mente precisam de atenção. Lembro-me de um caso que acompanhei, onde a moça estava há anos tratando em dermatologistas uma queda de cabelo intensa e constante; durante a psicoterapia, observamos grande desequilíbrio na área familiar e o fato de que a mesma estava há cinco anos sem tirar férias do trabalho, porque “sem ela nada caminhava”… O corpo daquela cliente estava “gritando”…

O convite a todos nós é refletirmos sobre o corpo, seus limites e suas expressões, considerando que somos seres de totalidade, mente, corpo, espírito e que precisamos cuidar do equilíbrio de nossas “partes” para que o todo ande bem. Entender que desordens emocionais podem levar a sintomas físicos e que esses sintomas podem nos ajudar a nos entender e a dar sentido a sofrimentos e dificuldades que estejamos passando. Há até uma máxima que diz assim: O que você fala, cura. O que você silencia, adoece. O que você cala, o corpo fala! Até a próxima!

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