Palavra de Vida – Outubro

“Sabemos que tudo coopera para o bem daqueles que amam a Deus.” (Rm 8,28)
A Palavra de Vida que estamos propondo para este mês se encontra na Carta do Apóstolo Paulo aos Romanos. É um texto longo, rico de reflexões e ensinamentos, que ele escreveu antes de ir a Roma, a fim de preparar sua visita àquela comunidade, que ainda não conhecia pessoalmente. O capítulo 8 enfatiza especialmente a nova vida segundo o Espírito e a promessa da vida eterna que aguarda as pessoas, os povos e o universo inteiro.:

“Sabemos que tudo coopera para o bem daqueles que amam a Deus.”
Cada palavra dessa frase é densa de significado. Paulo proclama que, principalmente, como cristãos, conhecemos o amor de Deus e estamos conscientes de que cada experiência humana faz parte do grande projeto divino de salvação. Tudo contribui – como diz Paulo – para a realização desse projeto: os sofrimentos, as perseguições, os fracassos e as fraquezas pessoais, mas, sobretudo, a ação do Espírito de Deus no coração das pessoas que o acolhem.

E ainda: o Espírito recolhe e assume os gemidos da humanidade e da Criação, e é esta a garantia de que o plano de Deus será cumprido. De nossa parte, devemos responder ativamente a esse amor com o nosso amor, confiando-nos ao Pai em cada necessidade e testemunhando a esperança nos novos céus e na nova terra que Ele prepara para aqueles que nele confiam.

“Sabemos que tudo coopera para o bem daqueles que amam a Deus.”
Então, como assumir essa forte proposta em nossa vida pessoal, de cada dia? Chiara Lubich nos sugere: Antes de tudo, nunca devemos parar no aspecto puramente exterior, material, profano das coisas, mas acreditar que cada fato é uma mensagem com a qual Deus nos expressa o seu amor. Veremos, então, como a vida, que nos pode parecer semelhante a um tecido do qual vemos apenas os nós e fios confusamente entrelaçados, é uma realidade bem diferente: é o plano maravilhoso que o amor de Deus vai tecendo, com base na nossa fé. Em segundo lugar, devemos nos abandonar confiantes e de modo total a esse amor, em cada momento, tanto nas pequenas coisas como nas grandes. Ou melhor: se soubermos confiar-nos ao amor de Deus nas circunstâncias normais, Ele nos dará a força para nos confiarmos a Ele também nos momentos mais difíceis, que podem ser, por exemplo, uma grande provação, uma doença ou o próprio momento da morte. Experimentemos, então, viver dessa maneira. Certamente não de forma interesseira, isto é, para que Deus nos manifeste seus planos e, assim, tenhamos consolações de sua parte, mas somente por amor. E veremos como esse abandono confiante é uma fonte de luz e de paz infinita para nós e para muitos outros.

Assim saberemos confiar-nos a Deus nas escolhas difíceis, como aquela que nos contou O. L., da Guatemala: Eu estava trabalhando como cozinheira num lar de idosos. Passando pelo corredor, ouço uma velhinha pedindo água. Arrisco-me a contrariar as regras que me proíbem sair da cozinha e lhe entrego, com carinho, um copo de água. Os seus olhos brilham. Com o copo pela metade, ela me aperta a mão: “Fique comigo dez minutos!”. Explico que não posso, que corro o risco de ser demitida. Mas aquele olhar… E decido ficar. Ela me pede que rezemos juntas: “Pai nosso…”. E depois: “Cante alguma coisa, por favor”, e me vem à mente a canção “Não levaremos nada conosco, só o amor…”. Os outros residentes olham para nós. A velhinha está feliz e me diz: “Deus a abençoe, minha filha”; pouco depois, ela se apaga. De qualquer forma, fui demitida por ter saído da cozinha. O sustento da minha família, distante, depende de mim, mas estou em paz e feliz: respondi a Deus, e aquela mulher não deu sozinha o passo mais importante de sua vida.

Letizia Magri

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