Advento 2022: Hoje é o terceiro domingo do Advento, o domingo da alegria ou  Gaudete

“Alegrai-vos sempre no Senhor! Repito, alegrai-vos! O Senhor está próximo”. (Cf. Fl 4,4-5) Celebramos neste final de semana com a Igreja o Domingo da Alegria (“Gaudete”), com sinais expressivos na Liturgia, apontando para a proximidade do Natal. No presbitério de cada Paróquia ou Comunidade, a Coroa do Advento, tecida com a cor verde da Esperança, traz a terceira vela, de cor rosa. Os paramentos dos padres e diáconos podem ser de cor rosácea, e as Leituras da Liturgia nos conduzem, ajudados por João Batista, a experimentar a verdadeira alegria. Além disso, começa no dia dezessete de dezembro a chamada “Semana Santa de Natal”, conduzidos pelas mãos de Maria, com quem clamamos pela chegada do Redentor.

Sabemos que ele veio uma vez por todas, mas a Igreja não se cansa de atualizar o anúncio para cada geração e a quem não ouviu falar a palavra profética: “Por que isto dizes, Jacó, Israel, por que reclamas: ‘O Senhor ignora meu destino, Deus não vê o meu direito!’? Acaso não sabes? Ainda não ouviste falar? O Senhor é o Deus eterno! Foi ele quem criou toda a extensão do mundo. Ele não corre nem se cansa, nem é possível pesquisar sua inteligência. É ele que dá ânimo ao cansado, recupera as forças do enfraquecido. Até os jovens se afadigam e cansam e mesmo os guerreiros às vezes tropeçam! Mas os que esperam no Senhor renovam suas forças, criam asas como águia, correm e não se afadigam, andam, andam e nunca se cansam”. (Is 40,17-31)

Entretanto, o Domingo da Alegria suscita perguntas em todos nós e nos aponta para as respostas da fé. É possível dizer a alguém que tem que ficar alegre? E que faço com a tristeza, que tantas vezes se abate sobre meu coração? Como consolar os que estão tristes? E como alcançar a perfeita alegria, buscada por santos como São Francisco de Assis, ou a mansidão indicada por São Francisco de Sales?

Na Carta de São Paulo aos Gálatas (Gl 5,21), a alegria é elencada como um dos frutos do Espírito Santo. Quem ouviu o anúncio querigmático do amor de Deus reconheceu-se frágil e pecador, acolheu o anúncio de Jesus Cristo, como seu Senhor e Salvador, experimentou os passos da fé e da conversão, para acolher o derramamento do Espírito Santo, com seus dons, carismas, ministérios, serviços e frutos, dentre os quais se encontra esta alegria profunda, nascida de dentro, que ninguém poderá tirar. É promessa do Senhor: “Também vós agora sentis tristeza. Mas eu vos verei novamente, e o vosso coração se alegrará, e ninguém poderá tirar a vossa alegria” (Jo 16,22). Alegria é fruto do Espírito, é virtude a ser praticada, é exercício espiritual que cura os males de nosso coração. Temos a coragem de indicá-la a todos como santo remédio!

Em tempo de festa do Natal, algumas propostas para experimentar a alegria que ninguém pode tirar de nós. Podemos dar um passo extirpando de nossa alma, de nossa consciência e de nossa prática de vida o pecado. É hora de fazer verdadeira faxina em nossa vida interior, superando os ressentimentos, muitas vezes guardados lá dentro, espalhando o perdão, vencendo as rixas, que tantas vezes começam em casa e se derramam por toda parte, revendo corajosamente o nosso comportamento. E valerá a pena preparar como que um pacote e levar ao tribunal misericordioso do Sacramento da Penitência, nestes dias que nos separam do Natal, uma semana repleta de oportunidades para uma vida nova.

O Apóstolo São Paulo, despedindo-se de uma Comunidade, deu seu testemunho: “Em tudo vos mostrei que, trabalhando desse modo, se deve ajudar aos fracos, recordando as palavras do Senhor Jesus, que disse: ‘Há mais felicidade em dar do que em receber’” (At 20,35). Para preparar a festa de Natal, somos todos convidados à partilha, ao invés de alimentar os sonhos de consumo tão divulgados no final do ano. O sentido dos presentes se encontra no grande presente que o Pai do Céu nos deu, seu Filho Amado.

Também os Magos que visitaram Belém chegaram para dar o melhor de si mesmos, outro, incenso e mirra. A Jesus Menino oferecemos nosso coração purificado. A Jesus presente dos pequeninos em pobres oferecemos dons que expressam nossa gratidão a Deus. E é claro, nossas crianças, em cada família, recebam Jesus de presente e os presentes que o simbolizam, tudo isso feito com grande alegria.

Para preparar a festa, dois espaços fundamentais. Natal se celebra participando da Santa Missa ou outro ato celebrativo possível em sua Comunidade, ouvindo a Palavra de Deus e participando da Sagrada Eucaristia. Na Vigília de Natal, muitos lugares celebram a Missa “do Galo”, pois houve um tempo em que se contavam as etapas da noite pelo canto sonoro dessa criatura de Deus. Cada Vigília da noite, de três em três horas, se ficarmos mais distantes do barulho das cidades, ouviremos os galos cantarem. Por isso, muitos presépios trazem um galo postado nos arredores. Mas há outros horários, no dia de Natal, para a família sair de casa e participar do Natal na Igreja. O outro espaço é justamente a família, com uma refeição temperada de alegria e convivência sadia. Não falte um momento de oração, no qual todos podem agradecer os dons recebidos. Depois, a sadia e bonita troca de presentes, reconhecendo a presença de Jesus uns nos outros.

Fazendo eco à proposta do Papa Francisco, na comemoração festiva dos oitocentos anos do primeiro presépio, montado por São Francisco de Assis, o mais importante dos enfeites de Natal em nossas casas seja o Presépio, feito com gosto e simplicidade, dando a alegria às crianças de nele depositarem a imagem do Menino Jesus. Se são bonitas as árvores de Natal, que foram criadas em lugares muito frios, onde os pinheiros são das poucas árvores que se mantêm verdes neste período, certamente ficarão tristemente reduzidas a bolas e estrelas, se não conduzirem ao festejado do Dia de Natal!
Enfim, se nossa reflexão começou com o tema da alegria, será oportuno rezar ou cantar, em família, além de “Noite feliz”, a oração de São Francisco, que pode ser excelente programa de vida para o ano novo que se aproxima:

“Senhor, fazei-me instrumento de vossa paz! Onde houver ódio, que eu leve o amor, onde houver ofensa, que eu leve o perdão, onde houver discórdia, que eu leve união, onde houver dúvida, que eu leve a fé, onde houver erro, que eu leve a verdade, onde houver desespero, que eu leve a esperança, onde houver tristeza, que eu leve alegria, onde houver trevas, que eu leve a luz. Ó mestre, fazei que eu procure mais consolar que ser consolado, compreender que ser compreendido, amar que ser amado, pois é dando que se recebe, é perdoando que se é perdoado, e é morrendo que se vive para a vida eterna.”

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