Por Pe. Romeu Ferreira
Evangelho de Domingo | 02.08.26
A) Texto: Mt 14,13-21
13quando soube da morte de João Batista, Jesus partiu e foi de barco para um lugardeserto e afastado. Mas quando as multidões souberam disso, saíram das cidades e oseguiram a pé. 14Ao sair do barco Jesus viu uma grande multidão. Encheu-se decompaixão por eles e curou os que estavam doentes. 15 Ao entardecer, os discípulosaproximaram de Jesus e disseram: “Este lugar é deserto e a hora já está adiantada.Despede as multidões, para que possam ir aos povoados comprar comida!” 16Jesus,porém, lhes disse: “Eles não precisam ir embora. Dai-lhes vós mesmo de comer!” 17Osdiscípulos responderam: “Só temos aqui cinco pães e dois peixes”. 18Jesus disse: “Trazei-aqui”. 19… Então pegou os cinco pães e os dois peixes, ergueu os olhos para o céu epronunciou a bênção. Em seguida partiu os pães e os deu aos discípulos. Os discípulosdistribuíram às multidões…
B) Comentário:
É bom observar que os discípulos têm como missão: ver as necessidades dasmultidões e levá-las a Jesus. E Jesus lhes diz que entrem eles mesmos em ação, pararesolver a situação.
A atenção de Mt (cfr Mc 6,34s) está voltada para a figura de Jesus e seucomportamento para com a multidão. O milagre não é o principal.
A multidão que segue Jesus (v.13) e é nutrida por ele é imagem do “novo” povo deDeus, que tem Cristo – rejeitado pelos homens, mas pedra fundamental – como mestre eamigo: um mestre que exerce sua autoridade na forma de “serviço”. E os gestos de Jesus(v.19) suscitavam nos primeiros leitores como que um eco da mais genuína culturahebraica – era comum o pai distribuir o pão aos filhos: a ceia de Jesus com os discípulos;a Eucaristia da Igreja primitiva; o Banquete escatológico no futuro reino de Deus.
É um desafio para nós, que estamos acostumados a pensar na Eucaristia só emdimensão espiritual: alimento da alma; pão dos anjos. Porém a Eucaristia celebrada porJesus no local desértico – inóspito e carente – e a multidão pela qual ele sente profundacompaixão, e oferece alimento e serenidade, é um todo de pessoas que realmente sentemna carne o peso esmagador da fome: real necessidade de comer. Quantas e quantaspessoas e até famílias padecem fome atroz em nosso mundo hodierno!
Jesus diz aos discípulos que resolvam a situação e, todavia, continua dizendo aoscristãos de hoje, o mesmo que antes. Será se permanecemos distantes de Jesus ou nosaproximamos dele para falar das carências da multidão, das carências de pessoas queconhecemos, e das nossas próprias carências? O muito ou o pouco distante de Deus, denada serve! Mas até o pouco com Ele pode e tem condições de ser muito.
Onde estão os cinco pães e os dois peixes? Já houve muitas campanhas… Porém,que faço eu e você para que o problema da fome real, e das pessoas desnutridas, eatingidas por ela, tal problema seja resolvido no ambiente em que vivemos ouconhecemos? Onde estão os empresários que se dizem cristãos? Será se eles existem?A finalidade com união faz a força, e a força maior vem de Deus, que requertransformações a bem de todos. Eis nossa missão: gerar a humanidade conforme Cristo.




