Traços da vida pública de Jesus – IV

Monsenhor Ronaldo Menezes – Vice-Presidente da Fundação Nazaré de Comunicação

 Em sua subida para Jerusalém, a cidade do seu destino, Jesus deixa a Galileia, onde exerceu enorme atividade repleta de ensinamentos, curas, exorcismos, formação dos discípulos. No caminho, junto com os Doze, Jesus faz o segundo anúncio da sua Paixão e ressurreição (Mt 17, 22-23; Mc 9,30-32; Lc 9,43-45). A decisão de abandonar a Galileia é em vista do que acontecerá em Jerusalém (Mt 19,1ª; Mc 10,1ª; Lc 9,51; Jo 7,2-10). O contexto é a festa dos Tabernáculos, deixa claro São João. Em sua viagem, Jesus cura os dez leprosos (Lc 17,11-19), ensina, cura novamente. É próximo a Jerusalém que Jesus conta a parábola do fariseu e o publicano (Lc 18,9-14).

Um tema interessante e de muita importância na vida de Jesus é a sua participação nas grandes festas judaicas, além da Páscoa, como a dos Tabernáculos e a da Dedicação do templo. A festa dos Tabernáculos durava oito dias. Em um desses dias, nos diz São João, Jesus vai ensinar no templo, atraindo a fúria dos chefes judeus (Jo 7,14-32). No último dia dessa grande festa, o Senhor proferiu o discurso sobre a Água viva (Jo 7, 37-39). No dia seguinte, tem o famoso encontro com a mulher adúltera (Jo 8,2-11). O Senhor se apresenta em seguida como a luz do mundo, e mais tarde cura o cego de nascença (Jo 9). Todos conhecemos de cor o discurso de Jesus sobre o Bom Pastor, também contado por São João.

Na festa da Dedicação, São João nos conta sobre a revelação da verdadeira identidade de Jesus (Jo 10,22-39). Logicamente que Jesus não foi compreendido. Depois disto, Jesus se retira “para o outro lado do Jordão” (Jo 10,40-42).

Sem nenhuma preocupação com os dados cronológicos da vida de Jesus, uma tarefa quase impossível de cumprir, proveitoso mesmo é seguir a os relatos dos Evangelhos, um de cada vez.

Mas um dado que podemos seguir com relativa segurança é o último percurso de Jesus para Jerusalém, sua última viagem, que o levaria à morte. Os fatos aqui são definitivos para a morte de Jesus.

São João conta, por exemplo, o milagre da ressurreição de Lázaro como fator determinante. Após este milagre, os chefes judeus decidem pela morte de Jesus (Jo 11,45-53). Sabendo do decreto de sua captura, Jesus se retira com seus discípulos para Efraím, onde permanece até sua viagem para Jerusalém.

Quando sai de Efraím, Jesus faz aos seus discípulos o terceiro e último anúncio de sua Paixão e ressurreição (Mt 20,17-19; Mc 10,32-34; Lc 18,31-34). Em Jericó, um ponto estratégico para a subida a Jerusalém, Jesus tem o encontro com Zaqueu (Lc 19,1-10), conta a parábola das dez minas (Lc 19,11-27) e ao sair da cidade cura o cego Bartimeu (Mt 20,29-34; Mc 10,46-52; Lc 18,35-43).

A entrada de Jesus em Jerusalém, no domingo ao qual denominamos de “Domingo de Ramos” se dá em meio a gloriosa acolhida e tensão. É aconselhável que se leiam os textos: Mt 21,1-17; Mc 11,1-11; Lc 19,28-44; Jo 12,12-19). A semana de Jesus é intensa. Escrevi um roteiro desta semana e apresentei na paróquia um tempo atrás. Aconselho ler os relatos, todos, segundo o critério de cada evangelista. São fundamentais para compreendermos as decisões de Jesus.

Dou um salto no tempo e chego à predição da destruição do templo (Mt 24,1-2; Mc 13,1-2; Lc 21,5-6). É um texto sobremaneira importante neste contexto. No monte das Oliveiras, Jesus profere seu famoso discurso escatológico.

Após suas atividades, pregações, sermões, discursos, ensinamentos, para onde Jesus ia? Certamente para Betânia, residência dos seus amigos Lázaro, Marta e Maria.

Na noite da quinta-feira, a nossa Quinta-feira Santa, Jesus faz sua última ceia com seus discípulos. Na Ceia pascal, instituiu a Eucaristia. Ao terminar a Ceia, dirige-se para o horto do Getsêmani, passando pelo vale do Cedron. No Getsêmani, faz intensa oração, em profunda agonia e sofrimento. Jesus, traído por Judas, um dos seus, é preso e levado às autoridades judaicas.

O processo contra Jesus ainda hoje é objeto de importantes estudos e debates, pela forma como se deu. Parece que tudo estava pronto com antecedência para sua condenação. As sessões do sinédrio não seguem o rito processual, dizem os especialistas. Primeiro, levam Jesus à casa de Anás (Jo 18,12-14.19-24). Outra sessão é feita na casa de Caifás (Mt 26,57-68; Mc 14,53-65; Lc22,54.63-65), agora com a presença de todo o sinédrio. Aqui Pedro nega conhecer Jesus, como Jesus havia predito. À primeira hora da manhã, outra sessão, agora formal, condena Jesus (Mt 27,1; Mc 15,1; Lc 22,66-71). Em seguida, levam Jesus a Pôncio Pilatos (Mt 27,2; Mc 15,1; Lc 23,1; Jo 18,28). Nesse intervalo, Judas parece se arrepender do que fez e se suicida (Mt 27,3-10).

Diante de Pilatos, começa a fase romana do processo contra Jesus. Os judeus fazem uma acusação. Pilatos remete Jesus a Herodes Antipas (Lc 23,6-12), que devolve Jesus a Pilatos. Pilatos procede a uma escolha entre Jesus e Barrabás (Mt 27,15-21; Mc 15,6-11; Lc 23,13-19; Jo 18,38-40), e escolhem soltar Barrabás. Pilatos dá sinais de que deseja soltar Jesus; manda flagelar a Jesus e ao final o condena à morte (Mt 27,22-31; Mc 15,12-20; Lc 23,20-25; Jo 19,1-16).

A sentença de Jesus é executada imediatamente. Jesus leva a cruz até o monte Calvário, onde é crucificado. Os sinais, desde sua chegada ao Gólgota até a hora de sua morte, são extremamente significativos. Jesus é crucificado na sexta-feira, e morre às 15 horas. O céu se levanta, o cosmos treme ante a morte do Salvador.

No domingo, o Senhor ressuscita dos mortos. Jesus aparece aos Doze reunidos no Cenáculo, e também à Maria Madalena. Este tema, todavia, o da ressurreição, vou deixar para outra oportunidade. Vou continuar com as atividades de Jesus. 

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