16º Encontro dos Bispos

das Grandes Cidades, realizado em Goiânia com organização da CNBB

A arquidiocese de Goiânia (GO) sediou, nos dias 18 e 19 de agosto, o 16º Encontro dos Bispos das Grandes Cidades, o primeiro a ser preparado e realizado como atividade oficial da programação da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), em parceria com o Regional Centro-Oeste. O encontro reuniu 22 bispos de 14 regiões do país para refletir sobre os desafios da vivência da fé nos grandes centros urbanos, tendo como tema “Viver a Fé nas Grandes Cidades: Iniciação à Vida Cristã e Pequenas Comunidades”.

Após passar por diversas dioceses, a edição de 2025, realizada em Curitiba, trouxe a proposta de integrar definitivamente o encontro ao calendário da CNBB, sugerindo Goiânia como a primeira sede dessa nova fase.

“Nós aceitamos esse desafio, esse compromisso, e foi o primeiro encontro a ser preparado, com a participação do Secretariado-Geral da CNBB e da arquidiocese que estava para sediar o encontro. A cidade ou diocese que é sede reúne suas principais forças. Aqui reunimos a Secretaria para a Comunicação, o Seminário Interdiocesano, a Pontifícia Universidade Católica de Goiás e o Vicariato para a Evangelização, para que, em diálogo com a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, o encontro pudesse ser organizado”, explicou o arcebispo de Goiânia e primeiro vice-presidente da CNBB, dom João Justino de Medeiros Silva.

A programação combinou exposições temáticas, momentos de oração e celebrações eucarísticas, além de reflexões e partilhas em pequenos grupos. A proposta foi favorecer o diálogo, a troca de experiências e a busca conjunta por caminhos pastorais diante dos desafios enfrentados pela Igreja nas grandes cidades.

O subsecretário adjunto de Pastoral da CNBB, padre Tiago Ávila Camargo, destacou o objetivo do encontro em reunir os bispos para refletir e dialogar sobre temáticas atuais que estão em sintonia com as Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil (DGAE 2026-2032).

“É uma proposta em que os bispos se encontram, partilham, refletem e podem assim também ter inspirações para colocar em prática nas suas igrejas locais. Um dos destaques colocados que surgiram nesses dias também foi justamente essa reflexão de que através das análises precisamos dar passos para concretizar aquilo que é apontado como necessidade, como atitudes práticas a serem vivenciadas nas igrejas locais. Então o encontro acaba tendo também esse objetivo de gerar frutos na prática, claro, dentro de cada realidade, dentro de cada possibilidade das igrejas locais”, explicou.

Primeiro dia: iniciação à vida cristã e desafios urbanos

O encontro teve início com um momento de oração e acolhida, conduzido pelo arcebispo de Goiânia, dom João Justino. Na abertura, o arcebispo apresentou um breve histórico da iniciativa, que teve início em 2011, a partir de uma proposta do arcebispo do Rio de Janeiro, cardeal Orani João Tempesta, acolhida pelo arcebispo de São Paulo, cardeal Odilo Pedro Scherer.

Dando início às reflexões do encontro, o bispo de Anápolis (GO) e presidente do Regional Centro-Oeste da CNBB, dom Waldemar PassiniDalbello, abordou o tema “Iniciação à Vida Cristã e Formação de Pequenas Comunidades”. A reflexão esteve diretamente relacionada à proposta central do encontro, que busca identificar caminhos para fortalecer a vivência da fé e a formação de comunidades cristãs nos grandes centros urbanos.

“Os bispos contemplam o grande desafio da evangelização das grandes cidades. Então nós, também com os nossos padres e líderes católicos, todos estamos atentos a como qualificar a vida cristã nas comunidades, como ir ao encontro dos anseios das pessoas do nosso tempo”, refletiu dom Waldemar.

Na sequência, os participantes se reuniram em pequenos grupos para refletir sobre o tema apresentado. Ao retornarem dos grupos, compartilharam as reflexões realizadas, encerrando a programação da manhã. Dom ZanoniDemettino Castro, arcebispo de Feira de Santana (BA), destacou a importância desse momento de escuta: “Esse momento tem sido valioso, partilhando as experiências, compreendendo essa necessidade de uma conversão pastoral, missionária, sinodal, como nos pedia e nos pede a Igreja, o Papa Francisco, o Papa Leão, é fundamental”.

Na parte da tarde, a segunda reflexão do encontro foi conduzida pelo bispo de Petrópolis (RJ) e presidente do Instituto Nacional de Pastoral Padre Alberto Antoniazzi (Inapaz), dom Joel Portella Amado. Ele abordou o tema “Viver a Fé na Grande Cidade” e refletiu sobre os desafios que a cultura das grandes cidades impõe à ação pastoral e à presença efetiva da Igreja.

“Nesse encontro, uma das finalidades é compreender, conhecer e refletir sobre experiências pastorais concretas. Foram trazidas duas experiências, a experiência da iniciação à vida cristã e a experiência das pequenas comunidades. Nesse conjunto, eu procurei refletir o que hoje a Igreja compreende como pastoral urbana, em especial nas grandes cidades”, explicou.

Após a exposição, os bispos se reuniram em pequenos grupos para refletir sobre duas perguntas propostas por dom Joel. As reflexões permitiram identificar alguns desafios relacionados às características da pessoa urbana e à vivência da fé nos grandes centros. Entre eles, destacaram-se a dificuldade de manter a experiência de oração em família e as diferentes rotinas profissionais dos fiéis, que, em muitos casos, dificultam a participação na vida comunitária.

À noite, os bispos celebraram a Eucaristia na Paróquia Universitária São João Evangelista, em Goiânia. Durante a homilia, o arcebispo de Porto Alegre (RS) e presidente da CNBB, cardeal Jaime Spengler, refletiu sobre a importância de cultivar a humildade e a atenção às próprias atitudes, especialmente diante dos desafios da vida pessoal e profissional. O cardeal chamou a atenção para o risco de atitudes marcadas pelo orgulho, pela soberba e pela sensação de autossuficiência, que podem comprometer a empatia, a compaixão e o reconhecimento das fragilidades humanas.

“Essas atitudes levam a pessoa a perder o senso de empatia, de compaixão e a capacidade de reconhecer as fragilidades humanas. A pessoa que perde o senso de humanidade, tornando-se cega em torno de si mesma, afasta a graça do Reino de Deus. O que nos aproxima do Reino é o cultivo da gratuidade. Nós não nos pertencemos, pertencemos Àquele que nos permite viver. Daí a importância da Palavra, da Iniciação à Vida Cristã e da comunidade de fé”, afirmou, fazendo referência ao tema discutido durante o primeiro dia do encontro.

Segundo dia: experiências de comunidades

No segundo dia do encontro, os bispos participaram da Celebração Eucarística na Capela do Seminário Propedêutico. O espaço possui iconografia preparada especificamente sob a perspectiva da iniciação à vida cristã. Durante a visita, o reitor lembrou aos bispos presentes que todo o projeto formativo do Seminário Propedêutico também é guiado por essa inspiração catecumenal.

Na sequência, dom Andherson Franklin Lustosa, bispo auxiliar da Arquidiocese de Vitória (ES) e secretário do Regional Leste 3 da CNBB, compartilhou com os participantes uma experiência desenvolvida pelo Regional fruto do desejo de aproximar a ação pastoral da realidade vivida pela população.

“A arquidiocese de Vitória e as demais dioceses do Estado, com esse desejo, chamaram um grupo de especialistas que nos ajudou a elaborar, a partir dos dados do Censo de 2000, 2010 e 2022, um quadro panorâmico da experiência religiosa no Estado do Espírito Santo. Algo bastante fecundo, que dialoga com a nossa presença eclesial, nossas paróquias e comunidades eclesiais de base”, partilhou.

Partir da escuta para indicações evangelizadoras

Ao fazer uma síntese do encontro, o presidente da CNBB, dom Jaime Spengler, destacou a importância desses momentos de diálogo e escuta entre os bispos, especialmente diante dos desafios da evangelização nas grandes cidades.

“Um momento privilegiado de encontro, de diálogo, de troca de experiências. E isso nós não podemos perder entre nós, essa dimensão de nos escutarmos e, a partir da escuta recíproca, encontrar indicações viáveis para levar adiante aquilo que Jesus pede dos discípulos de todos os tempos.”

Breve histórico

O Encontro dos Bispos das Grandes Cidades nasceu em 2011, a partir da constatação da necessidade de fortalecer a presença evangelizadora da Igreja nas grandes metrópoles. Inicialmente, a iniciativa reuniu os bispos das Arquidioceses do Rio de Janeiro e de São Paulo.

Ao longo dos anos, o encontro foi interrompido em duas ocasiões. A primeira ocorreu em razão da realização da Jornada Mundial da Juventude, no Rio de Janeiro. Posteriormente, a pandemia de Covid-19 também levou à suspensão do evento.

Após a realização de várias edições, dom Orani propôs que a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) assumisse a organização do encontro. A edição deste ano, realizada em Goiânia, é a primeira a ser promovida pela CNBB, marcando uma nova etapa na trajetória da iniciativa.

 

Fonte: CNBB / Informações: Secretaria para a Comunicação da Arquidiocese de Goiânia (Secom) Fotos: Rudger Remígio

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