Conselho de Pastoral Regional Norte 2

A sede do Regional Norte 2, em Belém, acolhe até a próxima quinta-feira, 27 de agosto, o ‘Conselho de Pastoral Regional Norte 2’, que reúne bispos, representantes de pastorais, organismos e serviços da Igreja no Pará e no Amapá. Durante o encontro, os participantes estão aprofundando a recepção das ‘Novas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil’, com atenção especial aos desafios e às esperanças presentes na realidade amazônica. Assessorada por Dom José Altevir, bispo da Prelazia de Tefé (AM), a formação pretende não apenas compartilhar sobre o assunto, mas debater e escutar os representantes das dioceses e prelazias.

O dia de reflexão foi iniciado com um momento de oração e, em seguida, a Presidência do Regional, representada pelo presidente Dom Irineu Roman, além de seu vice-presidente Dom José Maria, e o secretário Dom Antônio de  Assis, junto com a Secretária Executiva, Cristiane Araujo, que acolheram os participantes. Enquanto os bispos realizavam um momento próprio de partilha, conhecido como ‘reservada’, os demais representantes acompanharam a apresentação sobre o processo de construção e o conteúdo das novas Diretrizes.

A apresentação começou com uma memória das Diretrizes que orientaram a ação evangelizadora da Igreja no Brasil nas últimas décadas. O percurso recordou documentos elaborados a partir do final dos anos 1990, quando a Igreja passou a refletir com maior intensidade sobre a passagem de uma ação pastoral centrada em atividades para uma ação cada vez mais evangelizadora. Foram retomados os documentos relacionados à preparação para o Jubileu do ano 2000, à evangelização a partir do Ministério da Palavra, da Liturgia e da Caridade, à recepção da Conferência de Aparecida e ao chamado para uma Igreja em estado permanente de missão.

Também foram lembradas as reflexões sobre a mudança de época, a Igreja como comunidade de comunidades, a Igreja em saída proposta pelo Papa Francisco e a necessidade de fidelidade a Jesus Cristo em um cenário social marcado por transformações profundas. Esse caminho conduz ao atual documento, que orientará a ação evangelizadora no período de **2026 a 2032**. As novas Diretrizes apresentam a imagem da **Igreja como Tenda do Encontro**, uma comunidade chamada a acolher, escutar, discernir e sair em missão.

Os participantes também conheceram a trajetória de elaboração das novas Diretrizes. O processo teve início a partir das assembleias gerais da CNBB e envolveu consultas, escutas e contribuições de pastorais, organismos, igrejas locais, comissões episcopais e representantes do Povo de Deus. A construção do texto contou ainda com a contribuição de coordenadores de pastoral, assessores e representantes de diferentes setores da Igreja. O método da ‘conversação no Espírito’ foi utilizado como instrumento de escuta e discernimento.

A recepção do Documento Final do Sínodo sobre a Sinodalidade também foi incorporada ao processo, para que as novas Diretrizes estivessem em sintonia com o caminho sinodal vivido pela Igreja em todo o mundo. Depois de várias versões, discussões e emendas, chegou-se ao texto aprovado e apresentado como referência para a ação evangelizadora da Igreja no Brasil nos próximos anos. A trajetória de elaboração foi apresentada como um sinal de que as Diretrizes não nasceram de uma decisão isolada, mas de um caminho de participação e corresponsabilidade.

A estrutura das novas Diretrizes contempla a apresentação, o objetivo geral, a introdução e capítulos dedicados à identidade e à missão da Igreja. Entre os eixos centrais estão ‘A Igreja como Tenda do Encontro’; ‘A escuta dos sinais dos tempos’; ‘O discernimento para uma Igreja sinodal’; ‘O Povo de Deus em missão’; ‘Os caminhos da missão’; ‘Os compromissos sinodais’. 

A imagem da tenda expressa uma Igreja aberta, capaz de acolher diferentes pessoas e realidades. Suas estacas recordam a fé, a esperança e a caridade, enquanto o espaço aberto simboliza a disposição de sair ao encontro daqueles que estão nas periferias geográficas e existenciais. A tenda não é uma estrutura fechada. Ela pode ser ampliada, deslocada e reorganizada conforme as necessidades do povo. Essa imagem ajuda a compreender uma Igreja que não permanece parada diante das mudanças, mas busca novas formas de presença e evangelização.

Um dos destaques da apresentação foi o objetivo geral das Diretrizes e a centralidade de Jesus Cristo. A reflexão recordou que a Igreja não existe para realizar atividades de maneira automática nem para funcionar como uma organização distante da vida do povo. A missão da Igreja nasce do anúncio vivo da fé e tem Cristo como ponto de partida e de chegada. Toda ação pastoral precisa conduzir ao encontro com Jesus e ajudar as comunidades a viverem a fé de forma concreta.

Nesse sentido, os participantes foram convidados a fazer uma reflexão pessoal e comunitária: o que está no centro das ações realizadas nas paróquias? O anúncio de Jesus Cristo ou a burocracia pastoral? A pergunta também foi dirigida às comunidades ribeirinhas, às periferias urbanas e às frentes missionárias. Em realidades marcadas por longas distâncias e períodos sem a celebração presencial da Eucaristia, a Igreja é chamada a fortalecer a Palavra de Deus, a formação dos discípulos e a vida comunitária.

Outro ponto destacado foi a compreensão da sinodalidade como uma realidade sustentada pela Palavra de Deus, pela Eucaristia e pelos sacramentos. A sinodalidade não pode ser reduzida a uma expressão utilizada em documentos ou encontros. Ela precisa aparecer na maneira como padres, bispos, religiosas, religiosos e leigos tomam decisões e assumem responsabilidades nas comunidades. Durante a reflexão, os participantes foram provocados a perguntar como está o caminho conjunto entre o clero e as lideranças leigas nas decisões paroquiais. Também refletiram sobre a necessidade de despertar o protagonismo batismal de todos os cristãos.

A Igreja sinodal reconhece que ninguém vive a missão sozinho. Cada pessoa possui dons e responsabilidades diferentes, mas todos são chamados a caminhar em comunhão. Essa participação deve alcançar também aqueles que vivem situações de pobreza e exclusão. A preferência pelos pobres não é um elemento secundário da evangelização, mas faz parte da própria essência do Evangelho.

As novas Diretrizes foram relacionadas às situações concretas enfrentadas pelas comunidades do Pará e do Amapá. A reflexão destacou que o discernimento pastoral precisa ouvir os clamores que brotam dos territórios. Entre eles estão as lutas pela água, pela terra, pela proteção dos povos originários e pela defesa das comunidades mais necessitadas. Também foi reforçada a necessidade de uma presença eclesial atenta às diferentes realidades sociais, econômicas, culturais e ambientais da Amazônia.

A pergunta colocada aos participantes foi como a ação pastoral pode encarnar, no cotidiano, a preferência de Jesus pelos pobres e pelos que sofrem. Esse questionamento exige uma Igreja capaz de unir oração e compromisso, espiritualidade e defesa da vida. O Evangelho possui um rosto social e não pode ser anunciado de maneira separada das injustiças que atingem os povos e os territórios.

A recepção das Diretrizes também reafirmou o chamado para que a Igreja seja decididamente missionária. Isso não significa apenas multiplicar atividades, mas fazer com que cada ação pastoral tenha sentido evangelizador. A comunidade cristã é chamada a sair ao encontro das pessoas, acompanhar suas histórias e reconhecer os sinais de Deus presentes na realidade. A missão passa pelas casas, pelas comunidades, pelas escolas, pelos espaços de trabalho, pelas periferias e pelos territórios onde a vida está ameaçada. Nesse caminho, a pastoral precisa superar o ativismo e recuperar a capacidade de discernir. Não basta fazer muitas coisas; é preciso perguntar se aquilo que está sendo realizado ajuda a formar discípulos, fortalecer comunidades e anunciar a esperança do Evangelho. A Igreja existe para evangelizar e, por isso, cada projeto, planejamento e atividade precisa estar relacionado à missão de tornar Jesus Cristo conhecido, amado e seguido.

Ao tratar da Igreja como peregrina, a reflexão também convidou os participantes a pensar na esperança que estão alimentando no coração do povo. Em um tempo marcado pelo desânimo, pelas desigualdades, pela violência e pelas incertezas, a Igreja é chamada a ser presença que sustenta, consola e aponta caminhos. A esperança cristã não ignora os problemas. Ela nasce da certeza de que Deus continua caminhando com seu povo e convocando a comunidade a participar da transformação da realidade. Por isso, as novas Diretrizes são apresentadas como um instrumento para ajudar a Igreja a renovar suas relações, seus processos e seus vínculos. A proposta é fortalecer uma pastoral mais participativa, acolhedora, missionária e comprometida com a vida.

O Conselho de Pastoral Regional Norte 2 segue até esta quinta-feira, 27 de agosto, com a continuidade das reflexões e dos encaminhamentos pastorais. O encontro representa um importante momento de comunhão entre as dioceses, prelazias, pastorais e organismos do Pará e do Amapá. A partir dele, os participantes são convidados a levar às suas realidades o conteúdo das novas Diretrizes e a promover processos de estudo, oração, discernimento e participação. A recepção do documento não termina com a apresentação realizada em Belém. Ela começa, de fato, quando as comunidades passam a perguntar como podem acolher melhor, escutar com mais atenção, caminhar em unidade e servir com maior fidelidade ao Evangelho.

No coração da Amazônia, a imagem da Tenda do Encontro ganha uma força especial. Ela recorda que a Igreja precisa manter suas portas abertas, ampliar seus espaços e permanecer próxima daqueles que muitas vezes vivem nas margens. A missão é grande, mas não é realizada por uma pessoa só. É assumida pelo Povo de Deus, reunido na fé, sustentado pela Eucaristia e enviado para anunciar Jesus Cristo nas casas, nas comunidades ribeirinhas, nas periferias, nas cidades e em todos os lugares onde a esperança precisa ser reacendida.

Fonte: Regional Norte 2 / PorVívianMarler

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