
Em comunhão com cristãos que sofrem perseguição, violência e discriminação em diferentes partes do mundo, a Paróquia Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, da Arquidiocese de Belém, realizará nesta quinta-feira, 6 de agosto, uma ‘Vigília em Oração pelos Cristãos Perseguidos’. O momento de oração terá início às 20h e reunirá a comunidade para uma noite de adoração, intercessão, silêncio e esperança.
A iniciativa convida os fiéis a voltarem o olhar para homens, mulheres, crianças, famílias, catequistas, agentes de pastoral e missionários que permanecem firmes na fé mesmo diante de ameaças, conflitos armados e intolerância religiosa.
A vigília será iluminada pela passagem do Evangelho de Mateus “Bem-aventurados os perseguidos por causa da justiça, porque deles é o Reino dos Céus” (Mt 5,10).
Mais do que recordar situações de sofrimento, a celebração pretende fortalecer a comunhão entre os membros da Igreja e manifestar que nenhuma comunidade cristã está sozinha diante da violência. A oração será também uma forma de pedir força para aqueles que sofrem, coragem para os que continuam testemunhando o Evangelho e paz para os povos atingidos pela guerra e pelo extremismo.
Entre os episódios recentes de violência contra comunidades cristãs está o ataque ocorrido em 30 de abril, na localidade de Meza, na província de Cabo Delgado, no norte de Moçambique.
Segundo informações divulgadas pela Fundação Pontifícia ACN, insurgentes jihadistas invadiram a região por volta das 16h e promoveram uma onda de destruição contra a missão católica. A histórica ‘Paróquia de São Luís Maria Grignion de Montfort’, fundada em 1946, foi incendiada e ficou reduzida a escombros.
Também foram destruídos os escritórios paroquiais, a residência dos missionários e um jardim de infância ligado à comunidade. Os missionários, identificados nas informações disponíveis como religiosos camaroneses, não estavam presentes no momento do ataque, o que evitou uma tragédia ainda maior.
A destruição atingiu não apenas os edifícios, mas também espaços que representavam a presença da Igreja junto à população local. A paróquia era considerada um marco religioso em uma região de maioria muçulmana e desempenhava funções de evangelização, educação e acompanhamento comunitário.
O bispo de Pemba, Dom António Juliasse, descreveu a situação como uma cena de terror e pediu solidariedade para as vítimas de Meza. Segundo ele, a comunidade permanece profundamente marcada pela violência, mas continua buscando forças para reconstruir a própria história. “A fé do povo de Deus nunca se queimará; todos os dias é reconstruída”, afirmou o bispo.
Cabo Delgado enfrenta, desde 2017, uma grave crise provocada pela ação de grupos insurgentes. A violência já provocou milhares de mortes e o deslocamento de mais de um milhão de pessoas, segundo os dados divulgados pela ACN.
As comunidades cristãs estão entre as atingidas pelos ataques. Igrejas, capelas, casas religiosas, escolas e estruturas comunitárias foram destruídas, enquanto famílias inteiras precisaram deixar suas localidades em busca de segurança.
A realidade, contudo, afeta pessoas de diferentes religiões. Por isso, lideranças católicas também têm chamado a atenção para a necessidade de evitar qualquer forma de hostilidade contra os muçulmanos. O arcebispo de Nampula, Dom Inácio Saure, ressaltou que os muçulmanos não são inimigos, mas irmãos, e defendeu o fim da violência, das mortes e da incitação ao ódio.
Nesse cenário, a oração pelos cristãos perseguidos também se torna uma oração pela paz, pela convivência entre as religiões e pela proteção de todas as populações vítimas da violência.
Ao convocar a comunidade para a vigília, a Paróquia Nossa Senhora do Perpétuo Socorro recorda que o sofrimento de uma parte da Igreja alcança todo o Corpo de Cristo. “Não podemos fechar os olhos para o sofrimento dos nossos irmãos. Quando a Igreja sofre em uma parte do mundo, toda a Igreja reza unida”, afirma a mensagem de divulgação do encontro.
A programação será marcada por momentos de adoração, intercessão, silêncio e comunhão. Os participantes serão convidados a rezar pelas pessoas perseguidas por causa da fé, pelas famílias que perderam seus entes queridos, pelos missionários que continuam servindo em regiões de conflito e pelas comunidades obrigadas a abandonar suas casas.
Também serão lembrados os povos que enfrentam guerras, deslocamentos forçados, pobreza e intolerância. A vigília pretende unir a oração à solidariedade, reafirmando que a fé cristã não pode ser indiferente diante da dor humana.
Em meio a notícias de violência e destruição, a vigília propõe um caminho de esperança. Rezar pelos cristãos perseguidos significa reconhecer a dignidade daqueles que sofrem e pedir que a paz alcance os lugares onde o medo tomou o lugar da convivência.
A comunidade paroquial convida os fiéis a participarem do momento com suas famílias, levando ao altar as dores e esperanças da Igreja presente em diferentes países.
A oração será também uma forma de recordar que templos podem ser destruídos, casas podem ser incendiadas e comunidades podem ser obrigadas a partir, mas a fé vivida com coragem continua sendo uma semente de resistência e de esperança.
Serviço
Evento:Vigília em Oração pelos Cristãos Perseguidos
Data: 6 de agosto
Horário: 20h
Local: Paróquia Nossa Senhora do Perpétuo Socorro / Arquidiocese de BelémFonte: Regional Norte 2 / Por VívianMarler



