Pastoral Familiar realiza encontro em Santarém

Carvalho e Luciana Limão estiveram acompanhando a formação em Santarém.
Carvalho e Luciana Limão estiveram acompanhando a formação em Santarém.

“Família, um itinerário para a vida” foi a temática da formação conduzida pelo assessor nacional da Pastoral Familiar, padre Rodolfo Chagas Pinho, que apresentou a família como caminho da Igreja. O encontro foi promovido pela Pastoral Familiar da Arquidiocese de Santarém no dia 9 de julho, no auditório da Catedral Metropolitana de Santarém, e reuniu diversos agentes pastorais para um momento de reflexão e fortalecimento da missão.

Também estiveram presentes o casal coordenador da Pastoral Familiar do Regional Norte 2, Antônio José de Carvalho Júnior e Luciana Limão Vieira de Carvalho, acompanhando a formação. Na ocasião, Luciana destacou a recente realização da 50ª Assembleia Nacional da Pastoral Familiar, que reuniu representantes de 19 regionais do país, em Brasília, na qual reforçou a sinodalidade e a missão evangelizadora das famílias.

Em sua passagem por Santarém para conduzir esta formação, padre Rodolfo destacou como deve ser o olhar sobre a família. “Desde a gestação até a morte natural, em todas as suas fases de vida, da existência humana. E não olhar a família como um evento, como um grupo secundário, como um tema à parte. Mas que em nossas comunidades, lá na realidade onde estamos, na base, nas paróquias, o conselho de pastoral paroquial olhe a família como um caminho, uma transversalidade na vida paroquial. Porque a família é tudo, e ela é um tema que perpassa tudo, pastorais, movimentos e serviços”, ressaltou.

O sacerdote aprofundou que a criança, ao nascer, precisa dos seus afetos. Segundo ele, a primeira infância é tão importante para o ser humano por ser o que constrói a base do ser humano.

Sua preocupação é que a Pastoral Familiar tenha um olhar amplo, “e não feche a Pastoral Familiar apenas num grupo de casais, ou, às vezes, pensando que Pastoral Familiar é curso de noivos, recém-casados e novas uniões”.

Formação ocorreu na noite do dia 9 de julho. Foto: Aritana Aguiar
Formação ocorreu na noite do dia 9 de julho. Foto: Aritana Aguiar

Padre Rodolfo destacou os desafios atuais sobre algumas realidades do Brasil. “Percebe-se que a Pastoral Familiar acabou se fechando num grupo secundário na paróquia, e os três setores, que é para ter um conjunto de todo o trabalho pastoral, acabaram ficando nessas três temáticas: curso de noivos, recém-casados e novas uniões.”

Em sua experiência conhecendo as diversas realidades em todo o Brasil, Padre Rodolfo destacou os principais desafios que ele enxerga para a evangelização das famílias atualmente.

“Os desafios são aquilo que a nossa sociedade vive, os desafios do ser humano hoje. Por exemplo, vamos citar alguns: o isolamento na própria casa. As mídias sociais nos ajudam, nos aproximam, uma chamada de vídeo faz muito bem, é um sinal de esperança. Mas, ao mesmo tempo, se a família não sabe usar o celular, as mídias sociais, esse sinal de esperança acaba sendo algo negativo”.

Ao abordar esse tema, padre Rodolfo fez referência à encíclica Magnifica Humanitas, do Papa Leão XIV, afirmando que a inteligência artificial, a tecnologia e as mídias sociais podem ser sinais de esperança. No entanto, advertiu que, quando utilizadas sem equilíbrio, essas ferramentas podem contribuir para o isolamento dentro das próprias famílias.

Ainda entre os desafios citados pelo padre Rodolfo, ele colocou a situação da relação dos jovens com suas respectivas famílias, com os afastamentos que ocorrem em algumas situações.

“O que acontece dentro de nossos lares, em nossas casas, é que a juventude não pode ser a juventude, não pode ser o que ela é, naquela fase da vida, cheia de perguntas e interrogações. Então, isso também é um desafio para nós”, detalhou.

Entre os desafios atuais, o assessor destacou questões sociais, como a carência de políticas públicas para as famílias, o individualismo, a baixa natalidade e a necessidade de fortalecer a cultura da defesa da vida desde a concepção até a morte natural.

Mesmo diante dos desafios que marcam a realidade das famílias, padre Rodolfo destacou que o cristão é chamado a manter viva a esperança e a continuar anunciando o matrimônio como vocação. Citando a exortação apostólica AmorisLaetitia, do Papa Francisco, ele afirmou: “Diante de tudo isso, nós não podemos deixar de propor o matrimônio como caminho de felicidade. Diante de uma sociedade líquida, de vínculos frágeis, o matrimônio é vocação, é realização, é caminho de felicidade.”

Agentes da Pastoral Familiar de Santarém marcam presença no encontro
Agentes da Pastoral Familiar de Santarém marcam presença no encontro

O assessor nacional motivou os participantes do encontro a buscarem tornar a Pastoral Familiar uma pastoral de processos, deixando de ser uma pastoral de eventos.

“Que as nossas comunidades, nossas paróquias, saibam fazer processos, acompanhamento, aquilo que AmorisLaetitia nos propõe: acolher, acompanhar, discernir e integrar. São as quatro palavras-chave para a Pastoral Familiar do Brasil, não do Brasil, do mundo, hoje, que Papa Francisco nos deixou em AmorisLaetitia. Essas quatro palavras não podem sair do nosso vocabulário da Pastoral Familiar”.

Recordando o Jubileu das Famílias, celebrado em Roma no ano passado, padre Rodolfo ressaltou o convite do Papa Leão para a Igreja unir esforços na missão de evangelizar as famílias, tornando-se “pescadores de famílias” e contribuindo para regenerar a fé no ambiente familiar.

Em seguida, recordou uma reflexão do Papa Francisco aos bispos brasileiros durante a Jornada Mundial da Juventude de 2013, ao afirmar que “a pastoral nada mais é do que a maternidade da Igreja, que amamenta, que acompanha, que pega no colo, que carrega junto, que pega na mão, que está do lado.”

A partir dessa compreensão, reforçou a necessidade de uma mudança na forma de atuar da Pastoral Familiar. “A Pastoral Familiar precisa fazer essa mudança de chave missionária, precisa passar de eventos para processos e fazer esse acompanhamento como uma mãe que acompanha um filho. Que todas as famílias da Arquidiocese de Santarém sejam acompanhadas em suas mais diversas realidades e desafios”, concluiu.

Fonte: Arquidiocese de Santarém / Texto e Fotos Aritana Aguiar – Ascom Arquidiocese

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