
O Vaticano publicou hoje um editorial que recupera o magistério dos Papas contra as armas nucleares, desde 1945 até à atualidade, reiterando a posição da Igreja Católica a favor do “desarmamento total”.
O texto, assinado pelo diretor editorial Andrea Tornielli, surge num contexto de intenso debate político e mediático internacional sobre a proliferação nuclear e a ameaça atómica, compilando as sucessivas condenações dos pontífices à “autodestruição da humanidade”.
O artigo destaca de forma particular as intervenções do Papa Leão XIV, recordando o seu apelo de 14 de junho de 2025 sobre a tensão no Médio Oriente, visando especificamente o Irão e Israel.
“A situação no Irão e em Israel deteriorou-se gravemente e, num momento tão delicado, desejo renovar com veemência um apelo à responsabilidade e à razão. O compromisso de construir um mundo mais seguro, livre da ameaça nuclear, deve ser procurado através do encontro respeitoso e do diálogo sincero”, afirmou então o atual pontífice, acrescentando que “ninguém deve jamais ameaçar a existência de outro”.
O editorial percorre outros momentos marcantes do atual pontificado, como a mensagem para o 80.º aniversário dos bombardeamentos de Hiroxima e Nagasáqui (agosto de 2025), onde Leão XIV sublinhou que “as armas nucleares ofendem a humanidade comum e traem também a dignidade da criação”.
A reflexão vaticana evoca ainda a denúncia feita pelo Papa na Mensagem para o Dia Mundial da Paz de 2026, que classificou a dissuasão nuclear como a personificação da “irracionalidade de uma relação entre povos baseada não na lei, na justiça e na confiança, mas no medo e no domínio da força”.
A expiração do Novo Tratado START, assinado entre os Estados Unidos e a Federação Russa, foi também assinalada no texto com as palavras de Leão XIV proferidas em fevereiro de 2026, quando exigiu que a comunidade internacional faça “tudo o que for possível para evitar uma nova corrida ao armamento”.
Para demonstrar a linha de continuidade contínua desta doutrina, a publicação elenca os pronunciamentos dos anteriores sucessores de Pedro, começando pelo alerta de Pio XII, na sua mensagem de Natal de 1955, sobre a “catástrofe provocada pela sua própria insensatez”.
A compilação inclui também o alerta da encíclica ‘Pacem in Terris’ de São João XXIII, após a Crise dos Mísseis de Cuba, e os apelos ao desarmamento de São Paulo VI (1968), de São João Paulo II (em Hiroxima, 1981) e de Bento XVI (2010).
O documento cita ainda o Papa Francisco, que em novembro de 2019, também no Japão, declarou que o uso da energia atómica para fins bélicos é “um crime não só contra o homem e a sua dignidade, mas contra toda a possibilidade de um futuro na nossa casa comum”.
Fonte: Agência Ecclesia



