
De 1º a 3 de maio, acontecerá o segundo Encontro Nacional Ordo Virginum, em Vitória (ES), com o tema Diretrizes para a Ordo Virginum no Brasil: Vida e Missão. Segundo a virgem consagrada Dóris Pereira de Almeida, 63 anos, de Vitória, esse será um “encontro diferente do anterior, de formação mesmo”, com objetivo de concluir o processo de elaboração das diretrizes.
As virgens consagradas remontam ao início do cristianismo, a exemplo de santas como Luzia, Inês, Águeda, Filomena. Com o tempo e o estabelecimento de ordens religiosas de mulheres, a ordem das virgens foi perdendo importância.
A retomada veio depois do Concílio Vaticano II. Em 1970, o papa Paulo VI promulgou o novo Rito de Consagração das Virgens. Pouco tempo depois, já começaram as primeiras consagrações no Brasil, em 1971, 1972 e 1973. Mas, só em 2024 a ordem das virgens foi convidada a participar da Comissão Episcopal para os Ministérios Ordenados e a Vida Consagrada (CMOVIC) da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).
“Anualmente, nós nos reuníamos em São Paulo com dom Paulo Evaristo Arns”, que foi um dos primeiros bispos a acolher a consagração das virgens no Brasil, disse à ACI Digital Dóris de Almeira, consagrada desde 1998. “Depois a consagração foi se espalhando pelo país”.
Em 2024, aconteceu o primeiro Encontro Nacional, em Brasília (DF). “Depois que teve a representação junto à Comissão para a Vida Consagrada, essa inserção a nível de CNBB, então, surgiu a iniciativa das próprias consagradas de realizar um primeiro encontro, porque viram que já tinha em várias dioceses do Brasil”. Participaram deste evento virgens consagradas e candidatas à ordem.
Desta vez, o encontro será em Vitória, arquidiocese que tem à frente dom Ângelo Mezzari, presidente da CMOVIC, e participarão apenas as virgens consagradas, não as candidatas. O objetivo e trabalhar as diretrizes da ordo virginum no país, conforme o que “pede a instrução EcclesiaeSponsae Imago sobre o Ordo Virginum”, de 2018.
Dóris recordou que a instrução EcclesiaeSponsae Imago foi publicada quando era prefeito do Dicastério para os Institutos de Vida Consagrada e Sociedades de Vida Apostólica da Santa Sé (à época, congregação) o brasileiro cardeal João Braz de Aviz, que tinha sido bispo auxiliar de Vitória (ES) de 1994 a 1998. “Ele conhecia muito essa vocação por causa do nosso Estado”, disse a virgem consagrada.
“Até então, só tinha o rito”, disse ela. O cardeal Braz de Aviz “elabora esse documento dando as diretrizes para o mundo inteiro. Depois disso, cada país, a partir desse documento, tem que elaborar as diretrizes de acordo com seu país, é o que a instrução pede”.
Segundo Dóris, as diretrizes para o Brasil foram elaboradas pelo arcebispo emérito do Ordinariado Militar do Brasil, dom Fernando Guimarães, canonista, presidente do Tribunal Eclesiástico de Brasília. “Ele vai vir agora a Vitória, apresentar o documento, vamos fazer um estudo e ver se está tudo bem ou o que precisa fazer”, disse a virgem consagrada.
Segundo ela, “tudo está sendo feito de uma forma sinodal, em processo de escuta, de participação”.
Depois do encontro nacional e tendo as diretrizes fechadas, Dóris disse que o documento será apresentado à CNBB para aprovação dos bispos. “Isso deve acontecer lá para 2027”.
Em seguida, acrescentou, “cada bispo que desejar ter essa vocação em sua diocese, a partir desse documento, vai elaborar o documento da sua diocese, de acordo com a realidade local”.
As diretrizes vão abordar desde o que é a vocação das virgens consagradas, quem pode ser, até temas como a admissão, preparação e formação.
Para Dóris, “é muito importante” ter essas diretrizes agora, “porque, desde o momento em que a CNBB coloca na sua estrutura, a ordem ganha uma visibilidade maior”. “Com um documento próprio, que mais mulheres sejam tocadas, encontrem nessa forma de vida, nessa consagração aquilo que o coração anseia”, disse.
Dóris considerou que, as diretrizes vão permitir que a ordem das virgens seja “mais divulgada e que as pessoas se sintam mais atraídas, mais seguras, se identifiquem mais com essa forma de vida” que, para ela, “é muito própria para este tempo”.
“Essa é uma vocação para se viver no mundo e, no mundo ser esse sinal escatológico, ser esse sinal de presença”, disse. Para ela, em meio a um “mundo agitado, conturbado, com tanta violência, inclusive em relação à mulher”, as virgens consagradas mostram que “existe um Deus que nos conduz, que está presente e que nos ajuda a viver se uma forma simples”, seja “no trabalho, na família”.
As inscrições para o Encontro Nacional da Ordo Virginum podem ser feitas até 29 de abril, pelo link: https://app.ciaticket.com.br/e/ENCONTRO-NACIONAL-DA-ORDO-VIRGINUM.
Fonte: ACI Digital / Por Natalia Zimbrão



