Prelazia do Marajó terá diáconos permanentes

Dom José Ionilton Lisboa de Oliveira, S.D.V., ordena diácono transitório em Breves. | Crédito: Facebook Prelazia do Marajó.
Dom José Ionilton Lisboa de Oliveira, S.D.V., ordena diácono transitório em Breves. | Crédito: Facebook Prelazia do Marajó.

A Prelazia do Marajó (PA) começou no domingo (2) um caminho de discernimento vocacional para ter diáconos permanentes. A iniciativa, anunciada pelo bispo, dom José Ionilton Lisboa de Oliveira, S.D.V., em carta aberta, prevê a seleção de candidatos ainda neste ano e o início das atividades da Escola Diaconal no primeiro semestre de 2028.

“Quando cheguei em julho de 2024, para iniciar o meu serviço como bispo da Prelazia do Marajó, não encontrei nenhum diácono permanente”, escreveu dom Ionilton na carta.

O bispo disse que ao perceber essa ausência, começou a conversar sobre o tema com o clero. No Conselho Pastoral da Prelazia de 2025, foi feito um estudo sobre a vocação ao diaconato.

A primeira proposta era divulgar uma carta aberta nas celebrações das dez paróquias da prelazia em dezembro de 2025.

“Um número de padres me pediu para esperar mais um pouco, afirmando que antes de ser divulgada a carta, eles precisariam preparar as pessoas para este caminho vocacional”, escreveu dom Ionilton.

Segundo o bispo, o pedido foi acolhido e formou uma comissão para aprofundar o estudo e avaliar a possibilidade de a prelazia criar uma Escola Diaconal.

“No Conselho de Pastoral da Prelazia de julho de 2026, a comissão apresentou o resultado de seu trabalho e, no final, foi aprovado por maioria dos participantes que se deveria dar início a este caminho em vista de ter diáconos permanentes na Prelazia do Marajó”, escreveu dom Ionilton na carta.

Quem pode se apresentar

A carta convida homens solteiros com mais de 25 anos e homens casados com mais de 35 anos a discernir a vocação ao diaconato permanente.

Segundo dom Ionilton, os solteiros devem estar dispostos a abraçar “o celibato por causa do Reino”. Os casados devem ter recebido o sacramento do matrimônio há pelo menos cinco anos, não podem viver em segunda união e precisam apresentar a autorização da mulher por escrito.

O interessado deve procurar o pároco da paróquia da qual participa. O padre fará a apresentação do candidato à Pastoral Vocacional da prelazia.

Segundo a carta, para ser diácono permanente, o homem deve sentir-se chamado por Deus, pedir à prelazia para ser aceito, receber a aprovação da circunscrição, fazer a formação necessária na Escola Diaconal e aceitar exercer o ministério nas dimensões da caridade, da Palavra e da liturgia.

Os pedidos serão recebidos de agosto a novembro deste ano. Em dezembro, deverão ser avaliados pela Pastoral Vocacional da prelazia.

O projeto da Escola Diaconal deverá ser apresentado em janeiro de 2027. O período propedêutico, etapa inicial de preparação e discernimento, está previsto para ocorrer de março a dezembro do mesmo ano.

O início das atividades da Escola Diaconal está previsto para o primeiro semestre de 2028. A carta diz que a formação seguirá as orientações do documento 96 da CNBB, Diretrizes para o Diaconado Permanente da Igreja no Brasil.

O que é o diaconato permanente

A palavra diácono vem do grego diákonos e significa servidor ou ministro. A missão do diácono está ligada ao serviço da caridade, da Palavra e da liturgia.

A tradição da Igreja relaciona a origem do ministério à escolha de sete homens para o serviço da comunidade cristã, narrada no livro dos Atos dos Apóstolos (At 6,1-6).

Com o passar dos séculos, o diaconato permanente deixou de ser exercido como ministério estável na Igreja latina, e o diaconato passou a ser principalmente uma etapa anterior à ordenação sacerdotal.

Segundo o número 1.571 do Catecismo da Igreja Católica, o Concílio Vaticano II restabeleceu o diaconato “como grau próprio e permanente da hierarquia”. Em 1967, o papa são Paulo VI estabeleceu normas para a restauração desse ministério na Igreja latina por meio da carta apostólica Sacrumdiaconatusordinem.

“Este diaconado permanente, que pode ser conferido a homens casados, constitui um enriquecimento importante para a missão da Igreja”, continua o numeral 1571.

Os diáconos podem administrar o batismo, distribuir a comunhão, proclamar o Evangelho e pregar, assistir e abençoar matrimônios, presidir celebrações da Palavra e funerais e dedicar-se a serviços de caridade. Eles não podem celebrar missa, ouvir confissões nem administrar a unção dos enfermos.

Na abertura da carta, dom Ionilton cita o número 92 da exortação apostólica pós-sinodal Querida Amazônia, publicada pelo papa Francisco em 2020.

“São necessários sacerdotes, mas isto não exclui que ordinariamente os diáconos permanentes — deveriam ser muitos mais na Amazônia —, as religiosas e os próprios leigos assumam responsabilidades importantes em ordem ao crescimento das comunidades”, escreveu Francisco na exortação.

Segundo a secretaria da Prelazia do Marajó, a circunscrição não tem atualmente nenhum diácono permanente. Seus 25 padres acompanham cerca de 600 comunidades eclesiais, distribuídas por dez paróquias em nove municípios, numa realidade amazônica marcada por grandes distâncias e dificuldades de acesso.

Fonte: ACI Digital / Por Nathália Queiroz

Compartilhe essa Notícia

Leia também