Durante o período de férias do seminário, os seminaristas da Arquidiocese de Vitória participaram da 3ª etapa da missão do Barco Hospital Laguna Negra, enquanto os seminaristas da Diocese de Cachoeiro de Itapemirim participaram da 4ª etapa. Ambas as dioceses pertencem ao Regional Leste 3 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e se uniram nesta experiência missionária realizada na Prelazia de Lábrea, no sul do Amazonas. A missão proporciona aos seminaristas uma vivência concreta da dimensão missionária da Igreja, aliando evangelização, promoção da dignidade humana e assistência às comunidades ribeirinhas.
A Prelazia de Lábrea, igreja irmã da Arquidiocese de Vitória no Espírito Santo, mantém uma significativa parceria missionária. Essa comunhão fortalece a cooperação entre as Igrejas particulares e possibilita que seminaristas, missionários e voluntários coloquem seus dons a serviço da evangelização em uma das regiões mais desafiadoras do Brasil. O projeto missionário é coordenado pela Comunidade Epifania, responsável por articular as diversas frentes de atuação e reunir profissionais da saúde, religiosos, seminaristas e leigos comprometidos com a missão.
Muito mais do que um barco que leva atendimento médico, o Barco Hospital Laguna Negra representa a presença da Igreja que vai ao encontro das pessoas. Navegando pelos rios Purus e Tapauá além de igarapés da Amazônia, a embarcação alcança comunidades onde o acesso aos serviços de saúde e à assistência pastoral é extremamente limitado. Em cada parada, a população é acolhida com consultas, atendimento odontológico, momentos de oração, celebrações, visitas às famílias.
Na 3ª etapa da missão, a equipe de saúde contou com a dedicação de uma médica pediatra, uma médica reumatologista e três cirurgiões-dentistas, além de outros missionários que colaboraram nas diversas atividades desenvolvidas ao longo da vivência missionária. A atuação integrada da equipe permitiu oferecer um atendimento humanizado, promovendo cuidado, acolhimento e esperança às comunidades ribeirinhas.
A 4ª etapa contou com a presença de técnicos em enfermagem, uma enfermeira, uma psicóloga, três dentistas, dois seminaristas e um padre da Diocese de Cachoeiro de Itapemirim. Um dos dentistas enviados pela arquidiocese de Vitória é uma auxiliar de enfermagem da Prelazia de Lábrea.
Testemunho
Como seminaristas, participamos ativamente da organização dos atendimentos por meio da triagem dos pacientes. Entre as atividades realizadas estavam a pesagem, a aferição da pressão arterial, a verificação da glicemia e, conforme a necessidade, a realização de curativos. Nas missas exercemos a função de organizar junto à comunidade os cânticos, leituras, bem como os objetos litúrgicos de acordo com a necessidade das comunidades ribeirinhas (o barco conta com uma caixa na qual possui os objetos básicos necessários para as celebrações eucarísticas). Essas tarefas favoreceram um contato muito próximo com cada pessoa atendida e demonstraram que o cuidado com a vida também é uma forma concreta de anunciar o Evangelho.
A missão nos ensinou que a evangelização acontece tanto pela proclamação da Palavra quanto pelo serviço humilde e generoso ao próximo. Ao longo dos dias de missão, tornou-se evidente a profunda fé das comunidades ribeirinhas. Apesar das dificuldades impostas pela distância, pela realidade amazônica e pela limitação de recursos, o povo demonstra grande confiança em Deus e acolhe os missionários com alegria e gratidão. Cada encontro, cada conversa e cada celebração revelaram uma Igreja viva, sustentada pela esperança e pela solidariedade.
Essa experiência permitiu compreender, de maneira concreta, o que o Papa Francisco constantemente recorda à Igreja: somos chamados a ser uma Igreja em saída, que vai ao encontro das periferias geográficas e existenciais. Na Amazônia, evangelizar significa anunciar Cristo com palavras e, sobretudo, com gestos de cuidado, escuta, proximidade e serviço.
Participar da 3ª e 4ª etapa da missão do Barco Hospital Laguna Negra foi uma das experiências mais marcantes da formação rumo ao ministério ordenado. Durante o período de férias, nos foi possível colocar em prática aquilo que diariamente aprendemos no seminário: servir ao povo de Deus com disponibilidade, simplicidade e amor. Ao realizar a triagem dos pacientes, auxiliar nos curativos, visitar as comunidades, rezar com as famílias e conviver com os missionários, foi possível viver concretamente que o sacerdócio se constroi, antes de tudo, na capacidade de doar a própria vida em favor dos irmãos. Em cada rosto encontramos uma história; em cada comunidade, um testemunho de perseverança; e em cada atendimento, uma oportunidade de manifestar a presença misericordiosa de Cristo.
Voltamos desta missão profundamente transformados. As águas da Amazônia, o sorriso das crianças, a gratidão das famílias e a fé simples do povo ribeirinho permanecerão para sempre em nossos corações. Não fomos apenas levar Cristo às comunidades; encontramos o próprio Cristo presente na vida de cada pessoa que acolhemos.
Agradecemos a Deus pelo dom desta experiência missionária, à Prelazia de Lábrea pela acolhida fraterna, à Comunidade Epifania pela coordenação do projeto, à Arquidiocese de Vitória e à Diocese de Cachoeiro de Itapemirim por incentivarem a formação missionária de seus seminaristas e a todos os profissionais de saúde, missionários e voluntários que fizeram desta missão um verdadeiro testemunho do Evangelho. Que essa experiência continue inspirando novas vocações missionárias e recordando a toda a Igreja que a missão não conhece fronteiras. Onde houver uma pessoa necessitando de cuidado, esperança e do anúncio do Evangelho, ali Cristo continua enviando seus discípulos.
Fonte: POM /Informações: seminaristas MarcielZucolotoPizetta Matheus Luiz, Vinicius Leite de Oliveira Willian Miranda Cardoso




