Dom Paulo Andreolli, SX – Bispo Auxiliar de Belém
Caríssimos leitores, neste Segundo Domingo de agosto, a Palavra de Deus nos faz uma pergunta importante: Onde está Deus?
Muitas vezes, esperamos que Deus se manifeste de forma extraordinária. Gostaríamos que Ele resolvesse nossos problemas imediatamente, transformasse nossas dificuldades de uma hora para outra ou falasse conosco de maneira espetacular. No entanto, a Primeira Leitura (1Rs 19,9a.11-13a) nos mostra um caminho diferente.
O profeta Elias descobriu que Deus não estava no vento forte, nem no terremoto, nem no fogo. O Senhor se revelou na brisa suave, quase imperceptível. Elias só reconheceu sua presença quando fez silêncio e abriu o coração.
Assim também acontece conosco. Deus continua presente na vida de nossas famílias, mas nem sempre percebemos sua ação. Ele está no perdão entre marido e mulher, na paciência dos pais com os filhos, no carinho dos avós, na solidariedade entre os vizinhos, na oração em família e na coragem de recomeçar depois das dificuldades. Deus continua falando; precisamos aprender a escutá-Lo.
Estamos vivendo o Mês Vocacional e, neste segundo Domingo de agosto, a Igreja celebra a vocação matrimonial. O matrimônio não é apenas um compromisso entre duas pessoas, mas um chamado de Deus e uma missão. O Senhor convida o casal a construir uma família alicerçada no amor, no diálogo, no respeito, na fidelidade e na fé.
Em um tempo marcado por tantas crises e inseguranças, somos chamados a redescobrir a beleza de caminhar juntos, confiando sempre em Deus.
O Evangelho deste Domingo (Mt 14,22-33) apresenta uma cena muito conhecida. Os discípulos enfrentam uma forte tempestade no mar. O barco é sacudido pelas ondas, o medo toma conta de todos e tudo parece perdido. É justamente nesse momento que Jesus se aproxima, caminhando sobre as águas.
Essa cena representa a realidade de muitas famílias. As tempestades aparecem de várias formas: dificuldades financeiras, problemas de saúde, desentendimentos, dependência química, violência, desemprego, preocupações com os filhos e tantas incertezas diante do futuro. Nenhuma família está livre desses desafios.
O problema não é enfrentar tempestades. Elas fazem parte da vida. O verdadeiro risco é tentar atravessá-las sem a presença de Jesus.
Enquanto Pedro mantém os olhos fixos em Cristo, consegue caminhar sobre as águas. Quando passa a olhar apenas para o vento e para as ondas, começa a afundar. O mesmo acontece conosco. Quando olhamos somente para os problemas, o medo aumenta. Mas, quando colocamos nossa confiança em Jesus, encontramos força para seguir em frente.
O Evangelho termina com uma bela imagem: quando Jesus entra no barco, o vento se acalma. Isso não significa que nunca mais haverá dificuldades, mas que, com Cristo presente, nenhuma tempestade terá a última palavra.
Essa é uma mensagem especial para todas as famílias: não caminhem sozinhas. Convidem Jesus para fazer parte da vida de cada dia. Rezem juntos, participem da Eucaristia, eduquem os filhos na fé, cultivem o diálogo e pratiquem o perdão. Quando Cristo ocupa o centro da família, ela encontra uma força que o mundo não pode oferecer.
Na Segunda Leitura (Rm 9,1-5), São Paulo manifesta seu profundo desejo de que todos conheçam Cristo. Esse também deve ser o nosso compromisso. A maior herança que podemos deixar para nossas famílias não é apenas o conforto material, mas a alegria de viver o Evangelho e permanecer unidos na fé.
Nesta Semana Nacional da Família, renovemos nossa oração por todos os lares, especialmente por aqueles que enfrentam dificuldades. Que nenhuma família desanime diante das provações, mas encontre em Cristo a força para seguir em frente.
“Senhor Jesus, Tu que nunca abandonas aqueles que confiam em Ti, permanece no coração de nossas famílias. Fortalece a fidelidade dos esposos, sustenta os pais na missão de educar os filhos, ilumina os jovens, ampara os idosos e consola as famílias que passam por momentos de sofrimento. Que a Semana Nacional da Família renove em nossos lares o amor, o diálogo, o perdão e a esperança. Pela intercessão da Virgem Maria, Mãe das Famílias, faze de nossas casas verdadeiros lares de fé, onde o Evangelho seja vivido e testemunhado todos os dias. Amém”.




