Por Pe. Helio Fronczak
A imagem é eloquente e comunica uma verdade essencial para construirmos relacionamentos fraternos. Vivemos em um mundo barulhento, com tantas vozes, notificações, compromissos e informações que, muitas vezes, confundimos ouvir com escutar.
Quantas vezes estamos diante de alguém, a pessoa começa a falar e a nossa mente já está no próximo compromisso, na resposta que vamos dar, no julgamento que já formamos? Escutar de verdade exige mais que presença física – exige presença interior. Exige silenciar as próprias preocupações por um instante para acolher o que o outro traz.
Jesus nos ensinou isso de forma radical. No Evangelho de Lucas 10, 25-37, o bom samaritano não apenas viu o homem caído à beira do caminho – ele parou, aproximou-se e cuidou. O sacerdote e o levita também viram, mas seguiram adiante. Viram com os olhos, mas não enxergaram com o coração. O samaritano, não: ele ouviu o silêncio dolorido daquele homem, sentiu compaixão e transformou o encontro em fraternidade.
Toda a vida de Jesus foi assim. Ele parava, olhava nos olhos, ouvia a dor, a dúvida, o pedido. Não tinha pressa. Para Ele, cada pessoa era única e merecia atenção plena. É esse olhar que somos chamados a cultivar.
No dia a dia da nossa comunidade, na família, no trabalho, nos encontros casuais, cada pessoa que cruza nosso caminho carrega uma história, uma necessidade, um anseio. Quando escutamos com o coração, não apenas prestamos atenção nas palavras, mas percebemos o interior, a alma de quem fala. E é aí que nasce a fraternidade verdadeira.
Que possamos, cada dia mais, exercitar essa qualidade essencial da arte de amar: escutar com o coração. Olhar nos olhos. Silenciar por dentro. E deixar que o coração fale mais alto que os ouvidos. Porque, no fim, as pessoas não se lembram do que dissemos, mas de como as fizemos sentir: acolhidas, compreendidas, amadas.




