Por Pe. Helio Fronczak
“O que mais cansa não é trabalhar muito, mas sim viver pouco.” Essa frase circula muito nas redes sociais. Não tem autor confirmado, mas toca numa verdade que sentimos na pele: existe um cansaço que o fim de semana não cura. É o cansaço de uma rotina sem alma. Agenda cheia, vida vazia. Produzimos o dia todo, mas falta tempo para Deus, para a família, para o silêncio que restaura. Como disse o escritor moçambicano Mia Couto: “Há um cansaço que não vem do corpo. Vem de viver longe de si mesmo.”
Vivemos desencantados, como se estivéssemos aqui só de passagem. Mas Mia Couto nos lembra: “A vida não é para ser suportada. É para ser vivida.” Não fomos criados para apenas marcar ponto. Fomos feitos para a beleza, para o encontro, para os momentos que “nos tiram a respiração”.
A saída não é necessariamente trabalhar menos. É viver mais enquanto se trabalha. É colocar sentido no que fazemos. É parar para rezar, almoçar sem celular, ouvir os filhos, abraçar a esposa/esposo, servir quem precisa.
O Evangelho já nos dá a chave: “Assim, brilhe a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem o vosso Pai que está nos céus” (Mt 5,16). Brilhar é viver com propósito. É não deixar a luz se apagar na correria. No fim, ninguém se arrepende de não ter respondido mais e-mails. Mas muita gente chora por não ter vivido os momentos que não voltam.
Que nesta semana a gente escolha viver mais. E cansar menos.




