
Na memória de São João Maria Vianney, celebrada pela Igreja nesta terça-feira, 4, o Brasil também comemora o Dia do Padre. A data convida os fiéis a conhecerem melhor a riqueza dos ministérios exercidos pelos sacerdotes. Monsenhor, cônego, vigário, capelão… são diversas as funções e títulos que um presbítero pode exercer e receber ao longo da vida ministerial. Embora as atribuições sejam diferentes, todas têm a mesma missão: servir a Cristo e ao povo de Deus.
Compreender essa diversidade ajuda os fiéis a reconhecerem a complementaridade dos dons colocados a serviço da Igreja. Segundo o conselheiro encarregado pelos sacerdotes da Comunidade Canção Nova, padre Alexsandro de Lima Freitas, essa realidade confirma a certeza expressa por São Paulo de que os ministérios são diversos, “mas é o mesmo Deus que opera tudo em todos” (cf. 1Cor 12,4-6).
Funções pastorais
A função corresponde ao serviço pastoral desempenhado pelo sacerdote. “As funções podem mudar com o tempo, conforme a necessidade da diocese”, explica padre Alex. Entre os principais encargos estão o de pároco, vigário paroquial, vigário forâneo, reitor e capelão.
O pároco é o pastor próprio da paróquia e responde pela condução da comunidade, administrando os sacramentos, ensinando a fé e coordenando a vida pastoral em comunhão com o bispo.
O vigário paroquial auxilia diretamente o pároco nas atividades pastorais, como celebrações, atendimentos e demais serviços da comunidade. Já o vigário forâneo coordena e anima pastoralmente um conjunto de paróquias reunidas em uma forania, vicariato ou setor.
O reitor dirige um santuário, um seminário ou, em alguns casos, uma universidade pontifícia. O capelão é designado para prestar assistência espiritual em instituições como hospitais, presídios, escolas, universidades, comunidades religiosas e forças armadas.
Títulos
Diferentemente das funções, padre Alex frisa que os títulos são distinções concedidas em reconhecimento aos serviços prestados à Igreja ou pela participação em determinados colegiados eclesiásticos.
Monsenhor é um título honorífico concedido pelo Papa, geralmente a pedido do bispo diocesano, a sacerdotes que se destacaram pelos relevantes serviços prestados à Igreja. “Não muda o grau da ordenação sacerdotal, mas é um gesto de reconhecimento da Igreja”, observa o padre e missionário da Canção Nova.
Já o cônego integra o Cabido de Cônegos, colegiado ligado à Catedral da diocese. Historicamente, esses sacerdotes eram responsáveis pela celebração solene da Liturgia das Horas e pelo aconselhamento ao bispo. Hoje, o título costuma ser concedido a presbíteros experientes e de relevantes serviços prestados à Igreja.
Um mesmo padre pode exercer mais de uma função?
Segundo padre Alex, é comum que um sacerdote acumule funções e títulos. Um monsenhor pode ser pároco; um reitor de seminário também pode atuar como pároco ou vigário; um pároco pode exercer simultaneamente a função de vigário geral da diocese; e ainda há sacerdotes que conciliam o trabalho paroquial com a missão de capelão em hospitais ou outras instituições.
“O importante é compreender que essas responsabilidades não competem entre si, mas se complementam, sempre em vista da missão evangelizadora da Igreja”, resume.
Uma organização a serviço da missão
Para o sacerdote, essa organização revela a riqueza do Corpo de Cristo. “Ninguém se basta a si mesmo”, afirma. Enquanto párocos e vigários acompanham a vida cotidiana das comunidades, os capelães levam a presença da Igreja a hospitais, presídios e outras instituições. Os reitores acolhem peregrinos nos santuários, e os vigários forâneos fortalecem a unidade entre as paróquias.
Conhecer essas diferentes missões, observa padre Alex, ajuda os fiéis a compreenderem a Igreja como um corpo vivo, formado por diversos membros que atuam de maneira coordenada, conforme a imagem utilizada por São Paulo.
Padres religiosos
Além dos sacerdotes diocesanos, vinculados a uma diocese, existem os padres religiosos, pertencentes a ordens e congregações como franciscanos, jesuítas, carmelitas e beneditinos. Por isso, também recebem denominações próprias de governo.
Entre elas, recorda o missionário da Canção Nova, estão guardião, superior de um convento; prior, responsável por comunidades como as carmelitas, dominicanas e agostinianas; abade, autoridade máxima de um mosteiro beneditino; e provincial, que governa uma província formada por diversas casas religiosas.
Segundo padre Alex, essas denominações refletem a espiritualidade e a tradição de cada família religiosa, assim como ocorre com as figuras do presidente ou moderador geral nos novos movimentos e comunidades.
Fonte: Canção Nova / Por Julia Beck


