
Confirmando uma tendência observada na França, no Reino Unido, nos EUA e em outras partes do mundo, o Brasil teve um grande número de batismos de adultos na Páscoa deste ano. Segundo os números da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, foram 35.606 os adultos brasileiros receberam os sacramentos da iniciação cristã.
Segundo dom Joel Portella, a chegada de adultos aos sacramentos da iniciação à vida cristã foi reconhecida por 90% dos Regionais da CNBB. Portella, bispo de Petrópolis (RJ), é presidente do Instituto Nacional de Pastoral Padre Alberto Antoniazzi (Inapaz), organismo técnico de assessoria teológico-pastoral da CNBB responsável pela pesquisa divulgada na terça-feira (16) em reunião do Conselho Permanente da CNBB, em Brasília (DF).
Para fazer um perfil desses novos católicos, o Conselho Episcopal Pastoral (Consep) da CNBB encomendou uma pesquisa qualitativa ao Inapaz. O levantamento ouviu adultos batizados reunidos em pequenos grupos liderados por um mediador para discutir temas específicos em dez cidades de três regiões do país, escolhidas com base em indicações da Comissão para a Animação Bíblico-Catequética.
A conclusão da conferência de bispos é que os novos batizados, na maioria mulheres, se trata de “um público que apresenta feridas por situações materiais e existenciais, advindas de outras religiões com rupturas, recasados e pessoas LGBTQIAPN+”.
O Inapaz disse ter analisado “experiências concretas de iniciação cristã de adultos que atualmente chegam às comunidades católicas, bem como o funcionamento do processo de catequese e os resultados dessas experiências”. A análise foi feita “à luz da aplicação das Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil (DGAE) e do Sínodo sobre a Sinodalidade”.
A pesquisa do Inapaz não foi divulgada na íntegra e o material de apresentação preparado pela CNBB não fala sobre faixa etária dos novos batizados. Assim, não é possível saber se o fenômeno observado no Brasil acompanha o que aconteceu na França, Reino Unido e EUA, países em que a maioria dos adultos batizados na Páscoa deste ano é de adultos com até 25 anos.
Ao comentar os resultados da pesquisa, dom Joel Amado disse que há uma “crise geracional na transmissão da fé, na qual os pais não conseguiram introduzi-los e a geração atual começa a busca por outros caminhos”.
“É uma busca que se encaixa nesse momento religioso de pluralismo e de mobilidade religiosos”, disse dom Joel. “Cada vez mais declina a transmissão automática ou cultural da fé. A fé deixa de ser uma questão cultural para ser uma questão de escolha” e “começa a emergir um novo sujeito evangelizador com uma forma que antes não tinha”, no qual, “a pessoa que viveu uma experiência relevante e significativa se torna motivadora e chama outras pessoas a participar”.
Para dom Joel, que é também presidente da Comissão Episcopal para a Doutrina da Fé da CNBB, a pesquisa do Inapaz identificou que há mudanças de paradigma na transmissão da fé. De uma “dinâmica de escola para a família/comunidade; um perfil doutrinário para um perfil querigmático; o adulto como receptor para o adulto como interlocutor de um processo e um único agente evangelizador para uma rede (sinodal) de evangelizadores em uma comunidade catequizadora”.
Para a CNBB, “a mentalidade doutrinária; a perspectiva de avaliação a partir dos dados de concluintes dos sacramentos, considerando apenas os números; a carência de materiais específicos para o trabalho com adultos; a insuficiência no acolhimento de situações complexas; a falta de acompanhamento pós-sacramentos; e a dificuldade de as pessoas permanecerem nas comunidades” são desafios na catequese para adultos.
Fonte: ACI Digital / Por MonasaNarjara


