
Durante o sétimo e último podcast da ’62ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos bispos do Brasil’ que teve como convidados Dom Antonio de Assis Ribeiro, bispo da Diocese de Macapá e Dom Juarez Destro, bispo auxiliar de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, a pauta se firmou na aprovação das novas diretrizes para a Evangelização no Brasil, que após um longo processo de escuta e discernimento, o episcopado brasileiro chegou ao consenso em Aparecida (SP). Novo documento, com validade de seis anos, propõe uma Igreja mais flexível e atenta às realidades sociais, da Amazônia ao Rio Grande do Sul.
Sob o manto da Padroeira, em Aparecida (SP), a ’62ª AG CNBB’ viveu um de seus momentos mais aguardados e históricos, a aprovação das novas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora (DGAE). O resultado, alcançado na manhã do penúltimo dia de assembleia (23/4), não foi apenas um rito, mas o desfecho de uma “gestação” espiritual e coletiva. Para entender a profundidade desse passo, é preciso olhar para o retrovisor. O caminho até aqui foi marcado por interrupções e desafios, uma pandemia que isolou comunidades, a espera pelos frutos do Sínodo sobre a Sinodalidade e até o luto pelo Papa Francisco (contexto de um futuro projetado no diálogo). No entanto, o tempo de espera revelou-se um tempo de amadurecimento.
Dom Antônio de Assis Ribeiro, bispo de Macapá (AP), descreve a criação deste documento com uma metáfora sensível. “A produção de um documento é como uma gestação. Compreende ponto de partida, processos, sujeitos e etapas. O texto foi crescendo e se tornando pluridimensional, como um bebê que forma seus membros e órgãos”, afirmou o bispo.
O diferencial desta edição, ressaltado por Dom Juarez Destro, bispo auxiliar de Porto Alegre (RS), foi a participação inédita do povo de Deus. “Aquele ‘Seu José’ e a ‘Dona Maria’ também participaram. Não foi um texto feito apenas por peritos, mas uma construção que ouviu as bases”, destacou Dom Juarez. Essa escuta resultou em um consenso impressionante: a aprovação final contou com a concordância de mais de 99% dos bispos presentes, um sinal de profunda unidade.
A grande mudança simbólica das novas diretrizes é a transição da imagem da “Casa” para a “Tenda”. Se antes a Igreja se via como uma estrutura de quatro pilares fixos, agora ela se identifica com a Tenda do Encontro. “A tenda fala da flexibilidade da Igreja, da sua capacidade de caminhar com o povo e com a história”, explicou Dom Antônio. “Não queremos uma Igreja engessada, de paredes fixas e imóvel, que não acompanha os tempos. A tenda pode ser alargada à medida que chega mais gente”. Para sustentar essa estrutura móvel, o documento aponta três “estacas” fundamentais: a Fé, a Esperança e a Caridade.
O texto final é como uma “baía que recolhe águas de muitos rios”, segundo Dom Antônio. Ele consegue abraçar as dores e esperanças de um país continental. Na ‘Amazônia’, estão presentes os clamores contra o desmatamento predatório, a mineração e os desafios de evangelizar povos ribeirinhos e indígenas. No ‘Sul’, ecoam as preocupações com a ecologia integral, intensificadas pelas tragédias climáticas vividas no Rio Grande do Sul em 2024, e no ‘Social’, o documento não ignora as feridas abertas, como a violência contra a mulher e os desafios geracionais que envolvem desde a infância até os idosos.
Dom Juarez reforça que as diretrizes são, na prática, a implementação do Sínodo no Brasil. “É o retrato da nossa realidade. O discernimento para uma Igreja sinodal tem que ser coletivo. Não é uma pessoa decidindo por todos, mas todos decidindo o que fazer para melhorar o mundo”.
Uma novidade prática é o tempo de vigência: as diretrizes agora valerão por seis anos, acompanhando o mandato da presidência e permitindo uma aplicação mais profunda e menos apressada nas dioceses.
O clima em Aparecida, ao final da votação, era de um “novo Cenáculo”. Apesar da diversidade de ideias entre os quase 500 bispos, prevaleceu a convergência. Agora, o desafio deixa o auditório de Aparecida e segue para as comunidades, onde a “Tenda” deverá ser montada, acolhendo cada brasileiro em sua realidade particular, sob a luz do Evangelho e a força da sinodalidade.
Assista aqui ao Podcast –
Fonte: Regional Norte 2 / PorVívianMarler



