
O Papa apelou nesta sexta-feira, 15, ao combate contra o crime organizado, defendendo um sistema de justiça que recuse a pena de morte e priorize a reabilitação.
“O respeito pela dignidade inerente de cada pessoa, incluindo aquelas que cometeram crimes, exclui o uso da pena de morte, da tortura e de todas as formas de punição cruel ou degradante”, afirmou Leão XIV, no Vaticano, durante uma audiência aos participantes da II Conferência Internacional sobre a Luta contra as Drogas e o Crime Organizado na Região da OSCE (Organização para a Segurança e Cooperação na Europa).
O pontífice alertou que a verdadeira justiça “não pode contentar-se apenas com a punição”, exigindo programas multidisciplinares que ofereçam tratamento médico e apoio psicológico para libertar os indivíduos das dependências.
“Tais esforços devem igualmente abraçar abordagens marcadas pela perseverança e misericórdia, visando a reeducação e a plena reintegração dos infratores no tecido da sociedade”, sustentou.
Prevenir e combater o crime organizado é essencial para a construção de sociedades seguras, justas e estáveis. Nesta perspetiva, gostaria de prestar homenagem a todos os agentes das forças de segurança e membros do poder judicial que sacrificaram as suas vidas ou sofreram ferimentos no desempenho corajoso das suas funções.”
Leão XIV advertiu que a luta contra o narcotráfico exige uma aposta na educação familiar e escolar capaz de combater a banalização do consumo promovida nas plataformas digitais.
“No nosso tempo, em que as redes sociais tão frequentemente divulgam desinformação perigosa que banaliza estes riscos, a educação deve começar na família e ser reforçada na escola, transmitindo conhecimentos científicos precisos sobre os efeitos devastadores dos narcóticos no cérebro, no corpo, na conduta pessoal e no bem comum da comunidade”, precisou.
A intervenção destacou ainda que o combate às atividades ilícitas tem de estar alinhado com a proteção dos direitos humanos universais, envolvendo toda a sociedade.
“Nenhuma sociedade verdadeiramente justa pode perdurar a menos que a lei permaneça soberana”, observou Leão XIV.
Fonte: Agência Ecclesia


