Acontece na tarde desta segunda-feira (27/4), uma coletiva de imprensa, em Roma, sobre a participação da Santa Sé na ’61ª Exposição Internacional de Arte’. Em meio ao frenesi de cores e formas que toma conta de Veneza, o Pavilhão da Santa Sé surge como um oásis de quietude. Sob o título poético “L’orecchioèl’occhiodell’anima” (O ouvido é o olho da alma), o Vaticano apresenta uma proposta que desafia o ritmo acelerado do mundo contemporâneo, convidando os visitantes a uma jornada de escuta profunda e contemplação.
Comissariado pelo Cardeal português José Tolentino de Mendonça, Prefeito do Dicastério para a Cultura e a Educação, o pavilhão busca inspiração na vida e no legado místico de Santa Hildegarda de Bingen. A abadessa medieval, que foi poetisa, compositora e doutora da Igreja, serve como o fio condutor para as obras de 24 artistas de renome mundial.
A exposição divide-se em dois cenários carregados de história. O primeiro é o Jardim Místico dos Carmelitas Descalços, um espaço verde escondido no coração de Veneza. Ali, o visitante é convidado a colocar fones de ouvido e mergulhar em uma “oração sonora”.
O coletivo ‘SoundwalkCollective’ desenvolveu uma tecnologia que “escuta” o jardim em tempo real, a atividade bioelétrica das plantas, o murmúrio do vento e o som da água são transformados em uma composição musical viva. Entre os artistas que contribuíram com vozes e instrumentos para este diálogo místico estão nomes como Brian Eno, Patti Smith e a portuguesa Carminho, cuja voz traz a alma do fado para este contexto de sacralidade.
A segunda parte da mostra habita o ‘Complexo de Santa Maria Ausiliatrice’, transformado para a ocasião em um ‘scriptorium’ moderno. O espaço abriga um “arquivo vivo” dos ensinamentos de Hildegarda, uma biblioteca multilíngue e a liturgia sonora das monjas beneditinas da Abadia de Eibingen.
Um dos momentos mais emocionantes desta sede é a instalação final do célebre diretor Alexander Kluge, concluída pouco antes de seu falecimento em março deste ano, aos 94 anos. Foi Kluge quem sugeriu o título do pavilhão, sintetizando a ideia de que a verdadeira visão nasce de uma escuta interior.
A proposta do Pavilhão da Santa Sé ecoa as recentes palavras do Papa Leão XIV, citadas no comunicado oficial, “a lógica dos algoritmos tende a repetir o que ‘funciona’, mas a arte abre o caminho para o que é possível”.
Para quem visita a Bienal de 2026, o Pavilhão não é apenas uma galeria de arte, mas um convite a desacelerar. É um lembrete de que, ao sintonizarmos nossos ouvidos com a natureza, com a história e com o sagrado, começamos a enxergar o mundo com os olhos da alma.
No GiardinoMistico dei CarmelitaniScalzi (Obras Sonoras) Conheça os artistas que contribuem com “orações sonoras” que respondem ao legado de Santa Hildegarda.
- BhanuKapil
- Brian Eno
- Carminho (Portugal – citada como fadista)
- Caterina Barbieri
- DevontéHynes
- FKA Twigs
- Holly Herndon&MatDryhurst
- Jim Jarmusch
- Kali Malone
- KazuMakino
- Laraaji
- Meredith Monk
- MoorMother
- OtobongNkanga
- Patti Smith
- PreciousOkoyomon
- RaúlZurita
- SoundwalkCollective (Coletivo fundado por StephanCrasneanscki e Simone Merli. Criaram um instrumento sonoro sob medida que traduz a bioeletricidade do jardim em música).
- Suzanne Ciani
- Terry Riley
- Monjas Beneditinas da Abadia de Santa Hildegarda de Bingen (Alemanha/Eibingen – responsáveis pela liturgia sonora).
No Pavilhão di Santa Maria Ausiliatrice (Instalações e Arquitetura)
22. Alexander Kluge (Alemanha – citado como célebre diretor e autor. Sua obra final é uma **instalação de filmes e imagens em 12 estações, que também deu título ao Pavilhão).
23. Ilda David’ (Autora dos livros de arte exibidos na biblioteca do pavilhão).
24. Tatiana Bilbao – MAIO Architects – DOGMA (Coletivo de arquitetos responsável pelo projeto da nova arquitetura monástica dentro do complexo).
Fonte: Regional Norte 2 / Por VívianMarler




